Do Concreto ao Simbólico: Resgatando o significado do Ovo da Páscoa

Por Marcela Alice Bianco

A partir do momento em que perdemos a dimensão simbólica de algo ou alguma coisa tudo se torna concreto e ao mesmo tempo superficial.

Assim também ocorre com os símbolos pertencentes as datas comemorativas como a Páscoa, por exemplo. Neste caso, o Ovo de Páscoa, símbolo de nascimento e vida, torna-se um mero produto comercial e mercadológico, dos quais muitos aderem e outros fazem discursos contrários a sua compra.

Mas, se formos resgatar nossas memórias infantis, o que representava para nós o Ovo da Páscoa, trazido pelo coelhinho numa data esperada?

No meu caso, lembro-me de esperar todos os anos pelo tal coelhinho que traria um Ovo bem grande e gostoso – no caso meu pai – é claro! Imaginava qual seria o sabor, se realmente seria o meu preferido como eu desejava ou seria algum outro novo que também poderia me surpreender. O momento em que acolhia o grande ovo de chocolate nas mãos e abria o lacinho para desembrulha-lo era mágico. Abrir as duas partes para me deparar com os ovinhos ou bombons então, nem se fale! Lembro-me do barulho da embalagem, do sabor e do cheiro e me deliciar e me divertir enquanto comia aquela dádiva.

Podíamos pensar que era somente um chocolate qualquer, mas o fato de ser num outro formato e recheado de todo o ritual que o envolvia fazia com que ele se transformasse no Ovo da Páscoa, símbolo que transcendia sua concretude e trazia um sentido totalmente vívido à experiência.

Através de uma vivência aparentemente concreta eu experimentava o simbolismo do Ovo da Páscoa através desse processo, mesmo sem ter a menor consciência.

Na medida em que vamos perdendo essa dimensão simbólica, a sensação que eu tenho é que tudo também vai perdendo sua graça, a essência e com isso, a própria vida.

Então, o convite que eu faço a vocês é que recuperem dentro de cada um, e dentro de cada família essa capacidade inata e infantil que temos em “animar” a vida, trazendo a ela uma alma, um significado.

Retomemos os rituais como símbolos que transcendem a concretude dos objetos e das coisas para que possamos renascer para uma nova experiência e para uma nova vida!!

Marcela Bianco

Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta Junguiana formada pela UFSCar. Especialista em Psicoterapia de Abordagem Junguiana associada à Técnicas de Trabalho Corporal pelo Sedes Sapientiae e em Gerontologia pelo HSPE. CRP: 06/77338

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