Dica de livro: ‘A Garota no Trem’, de Paula Hawkins

Você não sabe quem ela é, mas ela conhece você…

O livro que vai mudar para sempre o modo como vemos a vida dos outros.

Neste dia em que escrevo sobre ‘A Garota no Trem’ (Editora Record), um ‘best-seller’ que tem merecido excelentes referências por parte dos leitores e dos críticos, este livro continua nos primeiros lugares do top do ‘The New York Times’, quase consecutivamente desde a altura em que entrou para a lista dos mais vendidos, sendo já considerado o êxito de vendas mais rápido de sempre. Vamos nos debruçar sobre a história que tem cativado milhares de leitores em todo o mundo, que desenrola-se em Inglaterra e cuja acção principal decorre no Verão de 2013 e é-nos contada através do ponto de vista de um trio de narradoras: Rachel, Megan e Anna.

É em torno da primeira que toda a narrativa gira. Rachel tem 33 anos e vive com uma amiga em Ashbury, após Tom, o seu ex-marido, se ter envolvido com outra mulher, Anna. Não aceitando ter sido rejeitada pelo homem com quem esteve casada seis anos, esta mulher para quem «a vida não é um ponto parágrafo» insurge-se consigo própria e entra num ciclo vicioso autodestrutivo, de onde fazem parte o álcool, a culpabilidade e a obsessão. Rachel muitas vezes não compreende a consequência dos seus actos quando bebe, pois sofre de amnésia alcoólica. Sem visualizar um único sentido para dar à sua existência, quando desloca-se de comboio para o trabalho, ela foca diariamente o seu pensamento num casal aparentemente feliz, que vive perto da sua antiga casa, em Blenheim Road, Whitney, onde Tom continua a viver com a nova mulher e filha. A alegria alheia, principalmente a desse casal idílico, corrói o mais profundo das suas lembranças e feridas que continuam por sarar. Todo o rumo desta história altera-se e ganha maior ritmo quando Rachel numa das suas viagens de comboio repara que na varanda da moradia do casal a mulher está a ter um ‘affair’ com outro homem. Mais adrenalina vem se juntar à narrativa quando essa mesma mulher é anunciada como desaparecida, no dia seguinte.

Até onde a mente perturbada de uma mulher abandonada e traída pode chegar? Será que conhecemos totalmente a pessoa com quem partilhamos a vida? Como reconhecer os traços de personalidade de um mentiroso compulsivo? Que segredos escondem a última pessoa que nos dirigiu a palavra ou o olhar? Eis algumas questões que ‘A Garota no Trem’ (em Portugal tem o título ‘A Rapariga no Comboio’ (Editora Topseller)) pode despoletar no leitor, quando todas as páginas terem sido lidas e finalmente reveladas todas as ocultações de factos e acções que, através das vozes narradoras deste romance psicológico, Paula Hawkins nos fez acreditar, para também nos pôr à prova, revelando assim o seu jogo de mestria na arte de compor uma história inteligentemente bem delineada, com enredos com voltas e reviravoltas.

‘The Girl on the Train’ (título original) é, inquestionavelmente, um excelente livro de estreia, que nos envolve desde o início e faz com que desconfiemos da índole de todos os personagens criados pela autora. A obra já vendeu mais de dois milhões de exemplares nos Estados Unidos e tem sido comparado pelos críticos ao livro-sensação do ano passado, ‘Garota Exemplar’, e também será adaptada cinematograficamente em breve por Tate Taylor (o mesmo realizador do filme ‘As Serviçais’/’The Help’).

A indicação de leitura é do nosso blog parceiro Silêncios Que Falam

Encontre o livro nos links abaixo:

Edição em Português do Brasil: Saraiva/ Edição em Português de Portugal: Wook

Miguel Pestana

Vive na Madeira, ilha portuguesa onde nasceu Cristiano Ronaldo, o melhor jogador de futebol do mundo. É cinéfilo e melómano, mas é no mundo dos livros que passa maior parte do tempo, e por isso diz ser um grande bibliófilo. Em Portugal, o seu blogue literário — http://silenciosquefalam.blogspot.pt —, existe há mais de 5 anos e é parceiro de mais de 40 editoras. Em ‘Silêncios que Falam’ ele já postou mais de 300 resenhas críticas, sobre livros de géneros literários vários.

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