Pamela Camocardi

Desperte interesse, não ciúmes.

Em pequenas doses tudo é bom: o amor, a saudade, a liberdade e até o ciúmes. É bom sentir-se amado, cuidado, admirado. O problema está nos limites de bom senso e equilíbrio que, ao serem ultrapassados, deixam marcas profundas nos dois lados.

Quem sente ciúmes carrega em si um medo de rejeição atípico e, em nome disso cultiva um sentimento de apreensão, relacionado à possibilidade do abandono e da rejeição, que o faz acreditar que não ser mais amado é a pior das situações.

Cervantes afirmava que “os ciumentos sempre olham para tudo com óculos de aumento, os quais engrandecem as coisas pequenas, agigantam os anões, e fazem com que as suspeitas pareçam verdades.” O ciumento vira um detetive em potencial, vê coisas onde não existe e cria situações imaginárias para justificar seu estado de vulnerabilidade e insegurança.

As redes sociais são averiguadas a todo momento, as senhas decoradas na velocidade da luz e o carro vira uma veículo de fórmula 1, tudo para encontrar “pistas” que justifiquem o ato doentio.

Essa história de “por trás de todo ciúmes está o medo de perder” ou “quem ama cuida” consiste em uma forma sufocante de gostar, tornando refém quem ele julga amar. Na verdade o ciúmes pertence ao egoísmo e não ao amor.

Note que não são raras as histórias de crimes passionais e brigas constantes nos relacionamentos por causa do ciúmes excessivo. Justificativas como “ciúmes é o tempero do amor” e “namorado ciumento é namorado fiel”, demonstram uma profunda falta de autoestima e destroem a vida sentimental dos dois lados.

Roland Barthes afirmava que, “como ciumento sofro quatro vezes: porque sou ciumento, porque me reprovo de sê-lo, porque temo que meu ciúme machuque o outro, porque me deixo dominar por uma banalidade: sofro por ser excluído, por ser agressivo, por ser louco e principalmente por ser comum.”

É preciso reaprender a amar e entender que joguinhos de ciúmes não são legais, são doentios. Ciúmes é fofo até começarem a voar tijolos na cabeça de um dos dois e despertar ciúmes em quem você diz amar é, no mínimo, desrespeito.

Para Shakespeare “Os ciumentos não precisam de motivo para ter ciúme. São ciumentos porque são. O ciúme é um monstro que a si mesmo se gera e de si mesmo nasce.” Resumindo: pessoas neuróticas que acabam com o psicológico de qualquer um.

Entenda: amor não é prisão, é liberdade. Ninguém tem o termo de posse de ninguém (ainda bem) e respeitar a decisão de todos é um dever. Fique quem queira ficar e vá quem queira partir. Acredite, não tem nada mais puro do que alguém permanecer ao seu lado por vontade própria.

Pamela Camocardi

A literatura vista por vários ângulos e apresentada de forma bem diferente.

Recent Posts

Stalker que inspirou “Bebê Rena” reclama de veracidade do seriado e sobre atriz: “Eu não sou feia”

Após o sucesso da série "Bebê Rena" na Netflix, as polêmicas em torno da trama…

4 horas ago

Mãe de Isabella responde a Alexandre Nardoni e exibe rostos dos filhos pela primeira vez

Ana Carolina Oliveira, atualmente casada e mãe de duas crianças, usou as redes para comentar…

10 horas ago

Mulher apontada como verdadeira Martha de ‘Bebê Rena’ critica a série e o criador: “Bullying por fama e dinheiro”

A mulher diz que não gostou da caracterização da personagem Martha na série: “Ela meio…

11 horas ago

Ex de Anderson do Molejo, MC Maylon lamenta morte e fala sobre tattoo em homenagem ao cantor

"A tatuagem do rosto dele vai ficar eterna no meu braço", disse MC Maylon.

2 dias ago

Saiba os motivos pelos quais o INSS cortou a aposentadoria de Fernanda Montenegro

A renomada atriz e escritora brasileira Fernanda Montenegro, reconhecida internacionalmente por suas performances no cinema…

3 dias ago

A nova minissérie épica que está arrebatando a audiência e já é apontada como a melhor da década

Linda e envolvente da prímeira à última cena, esta minissérie tem sido descrita pelos críticos…

3 dias ago