A vida é cíclica, cheia de começos, meios e fins. Sábios os que aprendem rápido que é preciso deixar o passado no lugar dele – lá atrás – e seguir em frente. Mas nós, meros mortais, somos uma maioria de erros e aprendizados, que levamos tempo e porradas para perceber a importância do “deixar pra lá” e olhar pro misterioso futuro que nos aguarda.

Todo mundo já precisou encerrar um ciclo sem querer ou sem estar preparado para. Todo mundo já foi mandado embora do trabalho sem esperar, sem merecer e sem motivo. Todo mundo já teve que terminar um relacionamento que não somava mais. Todo mundo precisou de uma mudança – de casa, de bairro, de cidade, de vida.

A maioria desses “encerramentos”, vamos assumir, dói pra caralho. Mesmo que a gente entenda que aquele relacionamento já não é saudável, cadê a coragem pra chegar e terminar? Na verdade, coragem a gente até tem. O que a gente não tem é idéia do que virá depois. O depois é que dói, porque esse depois a gente não conhece.

Você estava acostumado a andar de mãos dadas no cinema, a almoçar na sogra todo domingo, a jogar conversa fora com a cunhada. Ai você termina, e o que vem depois? Depois não tem mais ninguém pra dividir a pipoca, depois o almoço volta a ser com seu irmão, depois não tem mais com quem conversar sobre o seu dia.

Você tem aquele trabalho que a gente até que gosta, mas não ama. Numa terça-feira ensolarada qualquer, você volta pra sua mesa e o RH te chama pra conversar. Quando você abre a porta, em cima da mesa tem uma carta de demissão esperando a sua assinatura. E você se pergunta: “Mas por quê?” E você treme, e você contesta, e você chora, e você acaba assinando. Vai pra casa indignado, não entende nada, não sabe o que fez de errado, não sabe o que virá depois.

Você tem aquele sonho de morar em outra cidade. Planeja tudo, faz as contas, economiza, negocia um bom preço de aluguel, consegue uma transferência no seu trabalho. Quando o chega o dia de ir embora, porém, você arreia porque dali em diante você não sabe mais de nada. Depois daquele dia, sua rotina vai mudar, e a mudança causa medo.

Não saber o que virá depois geralmente nos apavora. A gente começa a procurar respostas, a tentar interpretar o que aconteceu, por quê aconteceu, por quê conosco. É difícil, é bem difícil recomeçar. Mas é crucial. Como diz Paulo Coelho, “Feche algumas portas. Não por orgulho ou arrogância, mas porque já não levam à lugar nenhum.”

Lá na frente, depois que a tempestade passar, a gente entende que encerrar o ciclo foi exatamente o que a gente precisava para repaginar o nosso futuro. Mesmo que tenha acontecido de sopetão, o término de algo nos empurra ao recomeço. E esse novo começo é mais maduro, afinal nosso passado nos ensinou. Entenda e assuma que o passado passou, que não voltará. Encerre o ciclo. Lembre-se de como você era antes daquela pessoa ou daquele trabalho. Lembrou? Haviam bons momentos também, né? Porque, afinal, nada é insubstituível. Um antigo hábito não era uma necessidade, era apenas algo que você se acostumou a fazer todos os dias.

Agora você tem a chance de criar novas manias, ir a novos lugares, aprender novas habilidades, conhecer o novo! O novo é fascinante, é infinito, não tem limites. Você irá até onde suas asas te permitirem. Afinal, você não é mais a pessoa que era. Seus antigos capítulos estarão pra sempre escritos, mas agora você tem a chance de escrever uma nova história, e tem bagagem para construir um caminho mais sereno, assertivo e feliz.

Bem-vindo ao seu novo eu!

Imagem de capa: Natalia Deriabina/shutterstock

Ana Carolina Faria Bortolo

Turismóloga e Administradora de Novos Negócios por formação. Escritora, pintora e dançarina por vocação. Planejadora de eventos, bartender, agente de viagens e vendedora por profissão. Garçonete de navio por opção. Vi o mundo e voltei, e de todos os rótulos que carrego na bagagem, só um me define bem: sou uma ótima contadora de histórias.

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Ana Carolina Faria Bortolo
Tags: novo EU

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