Tem comédia romântica que nasce de flores e bilhetinhos. O Amor Custa Caro (2003) nasce de outra coisa: contrato, estratégia e gente tentando ganhar no grito — com sorriso no rosto e faca escondida na manga.
E é exatamente aí que o filme fisga: ele trata romance como um jogo de negociação, onde “carinho” e “cláusula” costumam sentar na mesma mesa.
A história coloca Miles Massey (George Clooney) como advogado de divórcios famoso em Los Angeles, daqueles que parecem sempre dois passos à frente, inclusive quando estão entediados com o próprio sucesso.
Leia também: “Ele deu sentido à minha vida: esposa de Richard Gere diz que ele a salvou
Do outro lado entra Marilyn Rexroth (Catherine Zeta-Jones), especialista em transformar casamento em plano de enriquecimento — e, quando os dois se cruzam, vira uma queda de braço bem educada, só que cheia de rasteira.
O tempero “Coen” aqui funciona de um jeito curioso. Joel e Ethan Coen dirigem e apostam num ritmo que lembra as comédias maldosas de salão: frases afiadas, personagens secundários que entram como uma bomba cômica e uma sucessão de situações onde todo mundo quer estar por cima, custe o que custar.
O filme nunca finge ser “romance fofo”: ele prefere te fazer rir da vaidade dos dois e, logo depois, te deixar meio desconfortável com o quão calculado tudo pode ficar quando dinheiro vira bússola.
O Clooney acerta em cheio no tipo “impecável e cínico”, mas com rachaduras. Ele vende bem a ideia do cara que domina o tribunal e, ainda assim, se enrola quando a disputa vira pessoal. Zeta-Jones, por sua vez, faz a Marilyn com uma segurança quase insolente — e o filme depende dessa energia, porque sem ela a trama viraria só “golpista vs. advogado”.
Aqui, ela é também uma leitora de ambiente: entende a sala, entende o desejo alheio, entende o timing.
Quem dá muita graça ao conjunto é o elenco de apoio: Geoffrey Rush aparece como um “guru do divórcio” performático, quase uma caricatura de autoajuda jurídica; Billy Bob Thornton entra com um caos humano que ajuda o filme a acelerar quando precisa.
Essa galeria deixa claro o que o roteiro quer provocar: num mundo onde separação virou indústria, todo mundo vende alguma certeza — e quase sempre é conversa bonita embalando interesse próprio.
Em termos de tom, é uma comédia que brinca com o cinismo e com a química do casal sem pedir desculpas. A própria recepção crítica costuma destacar que, mesmo sendo mais “acessível” do que outras obras dos Coen, ainda tem aquelas esquisitices inteligentes e o “calor” de estrela antiga entre Clooney e Zeta-Jones.
E isso explica por que o filme funciona tão bem hoje no streaming: é leve na superfície, venenoso no subtexto e rápido o suficiente pra você perceber que riu de algo meio torto — e rir de novo.
Leia também: Premiado filme de suspense na Netflix só tem um defeito: Não te deixa parar de pensar nele
Fonte: Blog da Isabela Boscov
Compartilhe o post com seus amigos! 😉
Existe um momento silencioso, pouco comentado, em que uma pessoa percebe que talvez não consiga…
Existe uma ideia muito comum — e silenciosamente cruel — de que sofrimento emocional melhora…
psicólogo online fim de semana, terapia online fim de semana, atendimento psicológico fim de semana,…
Nem todo sofrimento emocional surge em horários previsíveis. Muitas pessoas relatam que os momentos mais…
Há momentos em que o sofrimento emocional não aparece de forma gradual. Ele chega intenso,…
O atendimento psicológico imediato é uma modalidade de cuidado emocional voltada para momentos em que…