Por Josie Conti
Mesmo que não tenhamos a passagem das estações tão marcada quanto no hemisfério norte, sabemos que o inverno trará mudanças.
Na rua, já não vemos mais a sombra rendada das folhas que caíram em sua dança outonal e vestiram a mãe terra com suas próprias roupas.
Em nossas casas, as cobertas começam a ser retiradas do guarda-roupa, lembramo-nos da sensação de dormir abraçados pelo tecido que nos aquece o corpo e o nosso dormir volta a ser útero, tempo de gestação. A temperatura, levemente maior do que o necessário em nosso ambiente protegido, também nos torna mais simpáticos àqueles que sofrem com o frio, que estão desabrigados.
Aqui perto de mim também acontecem mudanças. Depois de vários anos, os vizinhos vão se mudar. Mudam-se com eles o barulho, as brigas frequentes, o choro das crianças, os cães, os gatos e até a maritaca. É como se um pequeno caos existencial deixasse de fazer parte da minha vida. E, confesso, já sinto falta deles.
Lembro-me, como se fosse ontem, da menina mais velha, ao descer um degrau, matou acidentalmente uma maritaca. A sequência dos acontecimentos foi cinematográfica: o escândalo da mãe, da avó e os berros da filha ecoavam em quarteirões. A menina injustamente punida por um crime do qual não teve intenção. A mãe, sem permitir o luto, substituindo imediatamente o animal por outro. A avó, percebendo o exagero, tentando proteger a neta.
Tê-los como vizinhos era ter em xeque diariamente crenças, valores e posturas sociais com as quais éramos acostumados. Presenciar sua vivência, de certa forma, sempre fez com que eu me sentisse um pouco morna demais.
Durante a separação do casal, as brigas com o ex-marido traziam em si as palavras que todos que um dia já passaram por um rompimento quiseram dizer. Palavras nuas, obscenas, escrachadas. Todo o ódio e frustração canalizados na forma verbal. Ouvi-los, mesmo que não intencionalmente, era um misto de catarse pessoal, observação voyer e a prova do motivo do sucesso das novelas mexicanas.
Com eles, além da intensidade humana, vai a experiência da diversidade que nos é tão rica e necessária. E, ao contrário do que jamais pensei dizer, espero que esse inverno traga vizinhos novos, polêmicos, exóticos, outras pessoas que nos façam lembrar que a beleza da vida está nos opostos e em todo o questionamento que isso pode provocar em nossas verdades.
Quando True Lies chegou aos cinemas, em 1994, James Cameron já tinha no currículo filmes…
Uma das imagens mais conhecidas do início do relacionamento entre Diana Spencer e o então…
Durante a gravidez, os exames de Eliza Bahneman não indicavam que sua filha nasceria com…
Emma Lee recebeu ainda durante a gravidez uma notícia que mudou completamente a expectativa em…
Elas são pequenas, ficam quase sempre paradas nas paredes e costumam aparecer perto da pia,…
Antes de Michael Keaton se transformar em Beetlejuice ou vestir o uniforme do Batman, ele…