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A confissão secreta de uma mulher que passou por um relacionamento abusivo por mais de 10 anos

Eu costumava acreditar que o amor poderia superar qualquer coisa. Talvez tenha sido isso que me fez ficar por tanto tempo. No início, ele era atencioso, carinhoso, me fazia rir. Mas, aos poucos, pequenas coisas foram mudando. Os elogios viraram críticas sutis, depois agressivas. Ele me dizia que eu não era tão bonita, que minha opinião não importava, que eu nunca saberia viver sem ele. E eu acreditava.

Certo dia, ele me empurrou contra a parede com tanta força que minha cabeça bateu e eu vi tudo girar. Fiquei ali, atordoada, sem entender se aquilo era real. Ele olhou para mim e disse que eu merecia, que eu tinha provocado. E eu acreditei. No dia seguinte, ele me trouxe flores, me abraçou e disse que me amava. Eu queria acreditar que aquilo era verdade.

Teve uma vez em que ele desapareceu por dias, sem dar sinal de vida. Eu mandava mensagens, ligava, procurava por ele. Quando finalmente voltou, agiu como se nada tivesse acontecido e ainda me acusou de ser exagerada, de ser louca. Gaslighting. Eu comecei a duvidar da minha própria sanidade.

O silêncio era uma de suas armas. Por dias, me ignorava completamente, como se eu não existisse. Ghosting dentro do próprio lar. Depois, quando eu já estava sufocando, ele voltava e fingia que nada tinha acontecido. Eu deveria estar feliz por ele ainda estar ali. Eu sempre pedia desculpas, mesmo sem saber pelo quê.

Eu só sobrevivi porque, em um momento de coragem, contei para uma amiga. Ela me olhou nos olhos e disse: “Isso não é amor, é abuso.” Pela primeira vez em muito tempo, senti que minha dor era real, que eu não estava inventando.

Olhar meus amigos nos olhos era impossível. Eu tinha vergonha. Vergonha de estar naquela situação, de não conseguir sair. A voz dentro de mim, aquela que um dia acreditava em mim, foi se apagando. Até que não restava mais nada.

Hoje, olho para essa década e vejo apenas cacos de uma pessoa que já fui. A ansiedade não me abandona. A insegurança se enraizou. Os pesadelos me acordam. Trauma complexo, é assim que chamam. Eu ainda não sei se algum dia vou conseguir juntar os pedaços. Mas escrever isso é, talvez, o primeiro passo para entender que a culpa nunca foi minha.

Preciso manter meu anonimato porque sou uma pessoa conhecida publicamente. Mas espero que quem leia este relato saiba que não está sozinha. Que outras mulheres não precisem esperar 10 anos para pedir ajuda e se libertar. Não é fácil, mas é possível. E você merece muito mais do que viver com medo.

Imagem de capa meramente ilustrativa

 

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