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Volte quatro casas!

E quando tudo estava se ajeitando, aconteceram coisas inexplicáveis que levaram embora as melhores esperanças…

Quando tudo se despedaçou, a vida apresentou novas oportunidades, novos rostos,  rotinas,  hábitos e alegrias…

Quem realmente nunca viveu momentos de euforia, viu seu mundo cair, fez um sucesso inesperado, virou a vida de cabeça para baixo, deixou o dinheiro acabar,  a TV quebrar, o carro enguiçar, a relação esfriar, tudo ao mesmo tempo , indo direto para ou céu, ou caído sem vida no chão?

Acontece sim com todo mundo, várias vezes na vida, e, a cada vez ficamos igualmente perplexos, tentando explicar a coisa toda com teorias tão loucas quanto possíveis, mas o fato é que sempre saímos mais fortes de todo o caos em que estávamos pouco antes. Num segundo distraído, deixamos de fazer parte daquele cenário e já estamos em outro, e aí aparece aquele lampejo da mudança. Alguns dirão: – Finalmente terminou meu inferno astral, ou, ao contrário, – Nessa época tudo de ruim me acontece. Outros não dirão nada, só ficarão gratos, revoltados, inconformados, se achando merecedores.  E tantos outros sentimentos serão válidos, de acordo com a disposição de cada um.  É do jogo, como aceitamos as posições em que estamos no momento.

É preciso aceitar que a vida realmente é tecida por milhões de conjunções possíveis. E, assim como ela, fazemos associações a todo instante, respiramos profunda ou rapidamente, sorrimos ou fechamos a cara. Olhamos para os lados, para trás, para baixo, ou piscamos os olhos e deixamos de ver um lindo sorriso lançado para nós naquele justo instante. Prestamos atenção no que achamos que nos interessa, mas também deixamos passar muitas, muitas outras atenções. É a combinação de escolher e ser escolhido.

O jogo da vida é dinâmico e incontrolável. As peças mudam assim como os humores, as chances, as células do nosso corpo,  o clima, os cabelos, a sorte… E quando passamos por tempos de tormenta significa que algumas combinações não deram certo. E seguimos pois precisamos acreditar nisso para que estejamos com boa disposição para as perfeitas que certamente virão e não durarão o tanto que gostaríamos, como todas as outras vezes.

Tratemos  portanto de soprar os dados e jogar honestamente, buscar e lembrar de tudo o que aprendemos com as derrotas e vitórias anteriores, ficarmos firmes nas péssimas jogadas e vibrar intensamente com as certeiras!

A velha máxima diz: “O que importa é competir”; Mas gosto ainda mais de pensar que existe uma que repete sempre para cada um de nós: Queira vencer, mas antes de tudo, queira estar no jogo, viva o jogo, entenda as mensagens em cada recuada, em cada passada. E volte quatro casas se assim for preciso!

Emilia Freire

Administradora, dona de casa e da própria vida, gateira, escreve com muito prazer e pretende somente se (des)cobrir com palavras. As ditas, as escritas, as cantadas e até as caladas.

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