Para os descaminhos do amor, a pior frase que podemos assumir é a clássica “não quero me machucar de novo”. Desculpe, mas você vai. Mas também irá amar quantas vezes forem necessárias. Porque não adianta acreditar em um único amar. Somos somas de todos os relacionamentos bons e terminais que tivemos.
Esperamos que tudo flua conforme os nossos planos, mas para recolher afeto é preciso autoconhecimento. Aceitar dores, decepções e outros finais infelizes é o que nos permite a coragem de vivenciar inícios felizes. Isso de não se machucar mais é uma fábula. Trata-se de quem desistiu de olhar pra si e quer colocar na conta do coração que partiu. Para mais amor, você também precisa de mais calma. Saborear e deixar a tristeza permanecer por um tempo. E depois, com versos e abraços, buscar a própria construção da serenidade partilhada por dois amores.
O argumento mais comum entre os doloridos é o do cansaço emocional. Eu sei, cansa determinar e estabelecer limites dentro de nós. Ainda mais quando, dispersos, atingimos a condição de vítimas amorosas. Mas elas não existem, assim como os vilões. Perceber cedo que desencontros acontecem ajuda e permite a configuração de novos voos.
O amor não foi feito para ficar escondido. Não é um sentimento para os petrificados de medos. Amar é disposição de lançar-se ao desconhecido sem saber de uma possível recompensa. Você vai se decepcionar e amar de novo, não desista. Encontros para os que acreditam em sorrir mais uma vez.
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