Pamela Camocardi

Você não deveria se anular por alguém

Esse tal de amor próprio é de lascar! É o amor em sua forma mais genuína e complexa. Querer não é o suficiente para tê-lo. É necessário muito equilíbrio, muita coragem e muita vergonha na cara para ter o tão sonhado sentimento como aliado.

Amor próprio é aquele sentimento de liberdade que, indiferente da opinião alheia, faz sua vida fluir. Proporciona inteligência suficiente para entendermos que se aceitar e se amar não é egoísmo, é respeito.

O amor próprio nos faz entender que ninguém é de ninguém e que ir é um direito universal. Faz com que entendamos que escolher um companheiro de vida é um privilégio e não uma consequência. Em outras palavras amor próprio é o seguinte: quem tem, não abre mão e quem não tem, faz de tudo para conseguir.

Desenvolver esse sentimento requer muito equilíbrio emocional e exige muitas concessões. Pode ser que você tenha que ficar só um período, terminar uma relação abusiva, sair de um trabalho que não te realiza, se posicionar diante de uma situação conflituosa com um amigo, fazer dieta, praticar exercícios…. não sei qual será seu caso, mas o fato é que somente depois de muitas situações difíceis é que o tal do amor próprio acontece.

Nos relacionamentos amorosos não é diferente. Embora a sociedade tenha criado uma necessidade absurda de relacionamentos “ a qualquer custo” e “de qualquer jeito”, o amor próprio vem na contramão das teorias e prova por A+B que sabe de amor quem aprendeu a respeitar.

Essa necessidade de ter alguém é reflexo de uma sociedade carente e desequilibrada. É tanto medo de perder ou de ficar só para sempre que as pessoas não sabem mais o que é amor e o que é posse.

Sejamos claros: ninguém perde ninguém. Primeiro que não somos ( e não temos) propriedade de ninguém. Segundo que, no fundo, sempre sabemos quando uma relação não dará certo. Então, por que o desespero?

Racionalmente falando, ninguém perde “affairs”, amigos ou amores que nunca estiveram inteiros na relação. Eu sei que temos essa mania de culpar o destino, a vida e o universo, quando na verdade somos os únicos responsáveis pelas próprias escolhas e, consequentemente, pelos relacionamentos que atraímos para as nossas vidas.

Nem sempre a relação dá certo, as pessoas se entendem ou rola a química do primeiro encontro. Normal! O problema está em insistir em algo que está predestinado ao fracasso e aceitar relacionamentos abusivos apenas para não ficar sozinho.

Quer a verdade? Ninguém vale a sua paz. Não perca sua dignidade, seu domínio próprio e sua sanidade por quem não está nem aí com você. Ame-se, respeite-se, escolha-se. Quando você começa a olhar pra dentro de si com mais respeito, percebe que o maior amor do mundo existe sim e se chama próprio.

Pamela Camocardi

A literatura vista por vários ângulos e apresentada de forma bem diferente.

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