“Amar quem nos faz mal”. Desculpe, mas é querer de menos para si. Porque nenhum amor que prejudica, diminui e inveja o outro pode ser cabível de aceitação. Estar de acordo com essa submissão amorosa é se afastar da felicidade merecida. E nós todos merecemos amores compartilhados de gestos calorosos e carinhos sinceros.
O bom dia, o por favor, o beijo na testa – é sinal de respeito, diziam os avós. Trocas genuínas por quem escolhe amar. No início, o amor pode até ser imprevisível e daqueles que arromba a porta sem pedir passagem, mas, depois de entrar, nós é que somos responsáveis por sua estadia. Em qual lugar ele vai se alimentar, construir e descansar cabe ao nosso ser, em íntima escolha, sobre até quando ele fica e até o quanto ele pode ir. Deixar esse amor acomodado, com as pernas jogadas no sofá, esperando servidão e uma via de mão única, custa uma energia indisponível no relógio do coração. Você escolhe quem amar. Você e o outro, em sintonia, liberdade e cumplicidade para serem dispostos e amantes.
É necessária uma maturidade emocional para enxergar o amor. Não como uma lacuna a ser preenchida, mas como um capítulo a ser acrescentado. Cair na carência de quem finge amar dói. E de dores já bastam aquelas consumidas por um mundo insistente em desamar. Você escolhe quem amar a partir do amor dedicado, construído e administrado de você, para você. Daí por diante nem se preocupe com a porta, pois o amar pedirá licença com um sorriso gentil a cada passo dado.
“À noite, quando o silêncio vem
Sente aquela mesma tristeza
É difícil estar tão só
E conseguir olhar pra vida com clareza
Muitas vezes sai por aí
Desejando apenas alívio
(…)
Por um instante esquece que está perdido
Acontece que você
Não quer só alguém pra amar
Você precisa de alguém
Para sentir-se amado
Do seu amor, primeiro é você quem precisa…” (Gustavo Telles)
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