Se você acha que já viu todas as releituras possíveis de Cinderela, respire fundo. The Ugly Stepsister (A Meia-Irmã Feia) troca o olhar da “mocinha” pelo da irmã preterida e transforma competição por beleza em sátira de humor negro com body horror — o tipo de mistura que provoca riso nervoso e faz desviar o olhar nas cenas mais gráficas.
Escrito e dirigido pela norueguesa Emilie Blichfeldt (estreia em longas), o filme nasceu forte em festivais e chegou ao streaming em 2025.
A trama acompanha Elvira (Lea Myren), empurrada pela mãe viúva Rebekka (Ane Dahl Torp) a disputar a atenção do príncipe com a deslumbrante Agnes (Thea Sofie Loch Næss).
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Para “nivelar o jogo”, Rebekka submete a filha a procedimentos tão cruéis quanto ridiculamente pomposos, num reino onde aparência é moeda e etiqueta serve para encobrir violência.
O roteiro encontra graça justamente no desconforto: cada “tratamento” é filmado como espetáculo grotesco para expor padrões de beleza inalcançáveis e quem lucra com eles.
O impacto visual vem da parceria com o diretor de fotografia Marcel Zyskind e da montagem precisa de Olivia Neergaard-Holm: cenários de época ricos, figurino caprichado e uma câmera que alterna elegância e repulsa — cronembergiano nas texturas, sarcástico no timming.
Não à toa, a sessão de estreia rendeu relatos de público passando mal e virou assunto nas redes, alimentando a fama de “contos de fada passados no moedor de carne”.
Em termos de circuito, o filme estreou no Sundance 2025 (sessão Midnight) e seguiu para Berlim (Panorama) antes do lançamento nos cinemas da Noruega; depois, ganhou distribuição internacional e aterrissou nas plataformas.
Hoje dá para encontrar via Shudder/AMC+ em regiões selecionadas e também alugar/comprar digitalmente (inclusive dentro do ecossistema Prime Video, dependendo do país). Verifique a disponibilidade local no seu app — a oferta muda por território.
Por que vale dar play? Porque The Ugly Stepsister consegue ser ao mesmo tempo cruel e espirituoso: ri da obsessão por perfeição enquanto desmonta, com precisão cirúrgica, o castelo de privilégios que decide quem “merece” entrar no baile.
Se você curte humor azedo, cenários de época luxuosos e um belo chute no mito da docilidade feminina, eis um prato cheio — e temperado com sangue teatral.
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