Diga-me quais são suas qualidades, não adianta tentar denegrir o outro. Se alguém vier falar mal de uma pessoa de quem gosto, eu tenderei a defender justamente a pessoa de quem gosto. Porque eu não gosto das pessoas à toa; esse gostar tem uma história que o sustenta.
Lamentável notar que, ultimamente, a forma mais utilizada de argumentação vem a ser a difamação do outro, em vez de se comprovarem as próprias qualidades. É como se, destruindo a imagem alheia, a pessoa fosse conseguir se sobressair, como se, assim, enxergaríamos o que quem critica possui de positivo. Mas não é dessa forma que as coisas ocorrem.
Certos funcionários, por exemplo, não se cansam de falar mal dos colegas de trabalho, apontando falhas e defeitos no serviço deles, tentando, dessa maneira, despontar como os mais capacitados. Para tanto, espalham fofocas e maledicências a quem possa ouvir, em sucessivas tentativas de acabar com a imagem do outro, para que possam vir a serem reconhecidos pelos superiores como os melhores e mais competentes, querendo subir somente pisando quem atravesse seu caminho.
Da mesma forma, há quem tente diminuir as qualidades de alguém que, por ele, é visto como um oponente nas relações amorosas ou de amizade, não perdendo uma única oportunidade de disseminar histórias inverídicas e maldosas sobre essa pessoa, que seus devaneios delirantes classificam como um inimigo. Querem conquistar amizades e amores, geralmente em vista de interesses próprios, afastando as pessoas por meios antiéticos e mentirosos.
O mesmo se dá em relação à política. Muitos partidos nada mais fazem do que levantar atividades escusas dos oponentes, tornando públicas quaisquer notícias que denigram a imagem dos opositores. Raramente se veem propagandas exaltando as conquistas e avanços que o partido promoveu, uma vez que os ataques sistemáticos aos outros demais são recorrentes e ganham importância cada vez maior e mais frequente. Interessa, nesse contexto, destruir o outro e não melhorar a própria imagem.
Seria mais eficaz focar a si mesmo. Diga-me quais são suas qualidades, qual é o seu melhor. Não adianta tentar ficar atacando o outro, porque não é assim que alguém consegue mostrar a que veio. Se alguém vier falar mal de uma pessoa de quem gosto, eu tenderei a defender justamente a pessoa de quem gosto. Porque eu não gosto das pessoas à toa; esse gostar tem uma história que o sustenta. O que Pedro diz sobre Paulo me mostra mais sobre Pedro do que sobre Paulo – acho que Freud disse algo do tipo. Simplesmente melhorem.
Imagem de capa: wrangler/shutterstock
O diagnóstico de câncer antes dos 50 anos passou a chamar a atenção de médicos…
Hoje, ver uma mulher de biquíni na praia parece tão normal que quase ninguém pensa…
Você reconhece o ator que saiu da infância humilde para conquistar Hollywood?
Existe um tipo de sofrimento emocional que quase ninguém percebe de imediato. Ele não costuma…
Tem imagens que funcionam quase como um espelho simbólico. A gente olha rápido, acha que…
O que existe abaixo das águas cristalinas onde turistas se aventuraram e perderam a vida…