Marcel Camargo

Tentar diminuir o outro não te tornará melhor do que ele

Diga-me quais são suas qualidades, não adianta tentar denegrir o outro. Se alguém vier falar mal de uma pessoa de quem gosto, eu tenderei a defender justamente a pessoa de quem gosto. Porque eu não gosto das pessoas à toa; esse gostar tem uma história que o sustenta.

Lamentável notar que, ultimamente, a forma mais utilizada de argumentação vem a ser a difamação do outro, em vez de se comprovarem as próprias qualidades. É como se, destruindo a imagem alheia, a pessoa fosse conseguir se sobressair, como se, assim, enxergaríamos o que quem critica possui de positivo. Mas não é dessa forma que as coisas ocorrem.

Certos funcionários, por exemplo, não se cansam de falar mal dos colegas de trabalho, apontando falhas e defeitos no serviço deles, tentando, dessa maneira, despontar como os mais capacitados. Para tanto, espalham fofocas e maledicências a quem possa ouvir, em sucessivas tentativas de acabar com a imagem do outro, para que possam vir a serem reconhecidos pelos superiores como os melhores e mais competentes, querendo subir somente pisando quem atravesse seu caminho.

Da mesma forma, há quem tente diminuir as qualidades de alguém que, por ele, é visto como um oponente nas relações amorosas ou de amizade, não perdendo uma única oportunidade de disseminar histórias inverídicas e maldosas sobre essa pessoa, que seus devaneios delirantes classificam como um inimigo. Querem conquistar amizades e amores, geralmente em vista de interesses próprios, afastando as pessoas por meios antiéticos e mentirosos.

O mesmo se dá em relação à política. Muitos partidos nada mais fazem do que levantar atividades escusas dos oponentes, tornando públicas quaisquer notícias que denigram a imagem dos opositores. Raramente se veem propagandas exaltando as conquistas e avanços que o partido promoveu, uma vez que os ataques sistemáticos aos outros demais são recorrentes e ganham importância cada vez maior e mais frequente. Interessa, nesse contexto, destruir o outro e não melhorar a própria imagem.

Seria mais eficaz focar a si mesmo. Diga-me quais são suas qualidades, qual é o seu melhor. Não adianta tentar ficar atacando o outro, porque não é assim que alguém consegue mostrar a que veio. Se alguém vier falar mal de uma pessoa de quem gosto, eu tenderei a defender justamente a pessoa de quem gosto. Porque eu não gosto das pessoas à toa; esse gostar tem uma história que o sustenta. O que Pedro diz sobre Paulo me mostra mais sobre Pedro do que sobre Paulo – acho que Freud disse algo do tipo. Simplesmente melhorem.

Imagem de capa: wrangler/shutterstock

Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar". É colunista da CONTI outra desde outubro de 2015.

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