Um formigamento que vai e volta, uma queimação nos pés no fim do dia, uma sensação estranha nas mãos ou aquela impressão de que a pisada “não responde” como antes.
Muita gente tenta empurrar esses sinais com a rotina, mas eles podem indicar um problema nos nervos periféricos, responsáveis por levar mensagens entre o cérebro, a medula e o restante do corpo.
A neuropatia periférica acontece quando esses nervos sofrem algum tipo de dano. Com isso, informações ligadas à dor, temperatura, tato e movimento podem chegar de forma falha, exagerada ou atrasada.
O resultado aparece no corpo: dormência, dor, fraqueza, perda de sensibilidade e até dificuldade para caminhar em casos mais avançados.
Segundo materiais médicos de referência, a condição pode afetar nervos sensitivos, motores e autonômicos, o que explica por que os sintomas variam bastante de pessoa para pessoa.
Os sinais mais comuns envolvem pés e mãos, justamente por serem regiões mais distantes do sistema nervoso central. Entre os sintomas frequentes estão formigamento, sensação de agulhadas, perda de sensibilidade, dor espontânea, fraqueza muscular e dificuldade para perceber frio, calor ou pequenos machucados.
Também pode haver perda de massa muscular, redução da firmeza ao ficar em pé e maior risco de quedas.
Quando a pessoa sente menos os pés, ela pode pisar de forma insegura, tropeçar com mais facilidade ou demorar para notar feridas. É por isso que o diagnóstico precoce faz tanta diferença.
Depende da causa e do grau de lesão. Em muitos casos, a neuropatia periférica não tem uma cura simples e definitiva, mas pode ser controlada. O tratamento busca reduzir dor, proteger a função dos nervos, melhorar a mobilidade e impedir que o quadro avance.
Quando existe uma causa tratável por trás, como deficiência de vitamina, uso de alguma substância, exposição tóxica ou descontrole do diabetes, cuidar desse fator pode melhorar bastante o quadro.
Já em situações crônicas, o foco costuma ser controle dos sintomas e qualidade de vida. A Mayo Clinic destaca que o tratamento depende da causa e pode incluir medicamentos, terapias e medidas para controlar a condição de base.
O diabetes é uma das causas mais conhecidas. A glicose alta por muito tempo prejudica vasos e nervos, favorecendo lesões principalmente nas extremidades. Mas ele não é o único motivo.
A neuropatia também pode aparecer associada à hanseníase, quimioterapia, câncer, consumo excessivo de álcool, algumas medicações, doenças autoimunes, infecções, deficiência de vitaminas e contato com substâncias tóxicas, como chumbo ou mercúrio. Em alguns casos, a investigação médica é necessária justamente porque o sintoma aparece antes de a causa ficar clara.
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É a lesão dos nervos causada pelo diabetes, principalmente quando a glicose fica fora da meta por longos períodos. Ela é considerada uma das complicações crônicas mais frequentes do diabetes e muitas vezes passa despercebida por anos.
A Sociedade Brasileira de Diabetes aponta que as neuropatias diabéticas são complicações prevalentes, subdiagnosticadas e subtratadas.
O problema é que parte dos pacientes pode ficar sem sintomas por bastante tempo, enquanto outra parte desenvolve dor neuropática, com queimação, choques, pontadas ou sensibilidade exagerada nos pés.
Na hanseníase, os nervos periféricos podem ser atingidos por um processo inflamatório chamado neurite. Isso pode causar perda de sensibilidade, fraqueza e alterações motoras.
Um ponto importante é que, em alguns pacientes, essa lesão pode ocorrer sem dor intensa, o que aumenta o risco de a pessoa demorar para perceber o problema.
Por isso, manchas na pele com alteração de sensibilidade, dormência persistente, perda de força ou formigamentos devem ser avaliados por um profissional de saúde. Quanto mais cedo a hanseníase é diagnosticada e tratada, menor o risco de sequelas.
O diagnóstico começa na consulta. O médico, geralmente neurologista, avalia os sintomas, examina força, reflexos, sensibilidade, equilíbrio e histórico do paciente.
Também pode investigar diabetes, uso de álcool, medicamentos, tratamentos anteriores, exposição a substâncias tóxicas e outras doenças.
Em alguns casos, pode ser solicitada a eletroneuromiografia, exame que avalia o funcionamento dos nervos e músculos. Ele ajuda a documentar a lesão, identificar o tipo de comprometimento e orientar o tratamento. Exames de sangue também podem entrar na investigação, dependendo da suspeita clínica.
O tratamento costuma combinar duas frentes: aliviar os sintomas e tratar a causa. Quando o problema está ligado ao diabetes, por exemplo, controlar a glicemia é parte central do cuidado. Se houver relação com álcool, medicamentos ou deficiência nutricional, o médico pode orientar mudanças específicas.
Para dor neuropática, podem ser usados antidepressivos em doses terapêuticas para dor, anticonvulsivantes, analgésicos, cremes tópicos e outras estratégias. Fisioterapia, fortalecimento muscular, cuidado com os pés e prevenção de quedas também podem fazer parte do plano.
As diretrizes sobre neuropatia diabética reforçam que o rastreamento e o tratamento adequado são importantes porque a condição ainda é subdiagnosticada e subtratada.
Um método simples para ajudar no dia a dia é criar uma rotina noturna de cuidado dos pés. Ela não trata a causa da neuropatia, mas pode reduzir riscos e ajudar a perceber mudanças cedo.
Funciona assim: todos os dias, observe a sola, os dedos, as unhas e a região entre os dedos. Procure cortes, bolhas, vermelhidão, rachaduras, calos ou feridas.
Depois, lave os pés com água morna — nunca quente —, seque bem, principalmente entre os dedos, e aplique hidratante nas áreas ressecadas, evitando passar entre os dedos. Use meias confortáveis e calçados que não apertem.
Atenção: quem tem perda de sensibilidade pode se queimar sem perceber. Por isso, nada de bolsa de água quente, escalda-pés muito quente ou massagens fortes. A água deve ser testada antes com a mão ou com o cotovelo.
Se houver ferida, secreção, mudança de cor, dor forte, inchaço ou piora rápida da sensibilidade, o caminho mais seguro é procurar atendimento médico.
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Fonte: Einstein
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