A gente ensina aos outros como quer ser amado. Talvez de modo inconsciente, a gente mostra a todo mundo como deseja ser tratado, e nem sempre demonstramos que queremos ser bem amados, bem cuidados, bem olhados, bem decifrados, bem respeitados.

Muitas vezes preferimos requentar o café frio de anteontem a não beber café nenhum e, de modo distorcido, ensinamos aos outros que não merecemos um café quentinho e cheiroso, recém passado e com sabor marcante. Talvez devêssemos escolher não ter nada a ter as piores porções.

E é assim também que aceitamos um relacionamento tipo porta giratória, e permitimos que nosso coração abrace e seja abandonado tantas vezes quanto o outro quiser, pois preferimos ter esse alguém entrando e saindo de nossas vidas a não ter esse alguém de jeito nenhum.

Nem sempre iremos nos machucar num relacionamento assim. Quando é conveniente para os dois, quando ninguém está criando expectativas ou desejando algo mais, os pratos da balança se equilibram e ninguém se machuca. Porém, tudo muda quando você faz um investimento emocional na relação e o outro não. Quando você aposta num banquete e recebe somente migalhas.

Você jamais terá um banquete se fica farto com as migalhas. Jamais será levado a sério se romantiza joguinhos e justifica vácuos e perdidos. Jamais será convidado pra um encontro olho no olho se acredita que o like na foto antiga é a melhor alternativa.

Mas antes de sair fazendo cobranças e exigências, estabelecendo regras e impondo ultimatos, experimente simplesmente sair da porta giratória e veja o que acontece. Ao invés de esperar uma mudança de atitude do outro, mude você. Seu coração não precisa viver em compasso de espera, dando chances e mais chances a alguém que simplesmente não se importa. Se o outro se importasse, a porta não giraria.

Espero que você nunca se esqueça que ofereceu chances e elas foram desperdiçadas, todas elas. Espero que você não se distraia das sensações ruins que a porta giratória te causou, e não caia na tentação de duvidar das cicatrizes que ela deixou. Espero que você não ignore o quanto esse vai e vem emocional te faz mal, e aprenda de uma vez por todas que quem te tem em consideração não faz do seu coração um parque de diversão.

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Fabíola Simões

Escritora mineira de hábitos simples, é colecionadora de diários, álbuns de fotografia e cartas escritas à mão. Tem memória seletiva, adora dedicatórias em livros, curte marchinhas de carnaval antigas e lamenta não ter tido chance de ir a um show de Renato Russo. Casada há dezessete anos e mãe de um menino que está crescendo rápido demais, Fabíola gosta de café sem açúcar, doce de leite com queijo e livros com frases que merecem ser sublinhadas. “Anos incríveis” está entre suas séries preferidas, e acredita que mais vale uma toalha de mesa repleta de manchas após uma noite feliz do que guardanapos imaculadamente alvejados guardados no fundo de uma gaveta.

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