Josie Conti

Psicóloga Josie Conti explica: por que algumas pessoas não saem de casa sem maquiagem

Para algumas pessoas, sair de casa sem maquiagem não é apenas desconfortável — é impensável. Não se trata de vaidade simples, nem de gosto estético. Há algo mais profundo quando o espelho precisa ser “corrigido” antes que o mundo possa ver. A maquiagem, nesses casos, deixa de ser escolha e passa a funcionar como uma espécie de armadura emocional.

Quem busca terapia na internet costuma chegar com perguntas indiretas: “isso é normal?”, “por que me sinto tão exposta sem maquiagem?”, “por que fico ansiosa só de imaginar alguém me ver assim?”. Essas dúvidas apontam para um sofrimento silencioso, muitas vezes invisível até para quem o vive.


Quando o rosto não parece suficiente

Em um uso saudável, a maquiagem é expressão, brincadeira, criação de imagem. O problema começa quando o rosto natural passa a ser sentido como inadequado, incompleto ou até ameaçador. Não sair sem maquiagem, nesse contexto, não fala sobre estética — fala sobre segurança psíquica.

Segundo a psicóloga Josie Conti, “quando a imagem precisa ser constantemente controlada, é porque algo do valor pessoal não se sustenta internamente”. A maquiagem passa a funcionar como um mediador entre a pessoa e o olhar do outro.


O medo não é de ser vista, é de ser reconhecida

Muitas dessas pessoas dizem: “não gosto de me ver sem maquiagem”, mas, clinicamente, a questão costuma ser outra: o medo de como serão vistas. O olhar do outro é vivido como julgamento, exposição ou rejeição. A maquiagem, então, organiza uma versão aceitável de si mesma.

Josie Conti observa que “o rosto maquiado pode operar como um personagem psíquico: aquele que pode circular no mundo sem risco”. Sem ele, surgem ansiedade, vergonha e sensação de estar “desprotegida”.


História emocional por trás do espelho

Esse tipo de relação com a imagem raramente surge do nada. Em muitos casos, há uma história marcada por críticas precoces, comparações constantes, olhares exigentes ou afeto condicionado. Não é necessário que alguém tenha dito explicitamente “você não é bonita o suficiente”. Às vezes, a mensagem foi silenciosa, repetida em gestos, ausências ou padrões familiares.

Quando a validação emocional dependeu do desempenho, da aparência ou da adequação, o corpo aprende cedo que precisa se apresentar “do jeito certo” para ser aceito. Como diz Josie Conti, “o psiquismo se adapta ao olhar que encontra; se o olhar foi crítico, a imagem vira defesa”.


Controle da imagem como tentativa de controle da angústia

Não sair sem maquiagem é, muitas vezes, uma tentativa de manter a angústia sob controle. O ritual diário de se arrumar oferece uma sensação momentânea de organização interna. O problema é que essa regulação é frágil: basta um imprevisto — dormir fora, uma visita inesperada, uma câmera ligada — para que o sofrimento apareça com força.

Com o tempo, isso pode limitar a espontaneidade, a intimidade e até a liberdade. Algumas pessoas evitam viagens, relacionamentos ou situações simples por medo de serem vistas “sem preparo”.


Quando a autoestima depende do espelho

Outro sinal importante é a dificuldade de sustentar autoestima fora da aparência. A pessoa pode receber elogios, ser competente, ter vínculos afetivos, mas ainda assim sentir que “só é suficiente” quando está maquiada. Isso revela uma autoestima muito apoiada no externo e pouco ancorada na experiência interna de valor.

Segundo Josie Conti, “quando o valor pessoal não se constitui de dentro para fora, ele precisa ser constantemente confirmado pelo olhar do outro”. A maquiagem, nesse sentido, vira um pedido silencioso de reconhecimento.


O papel da psicoterapia nesse processo

A psicoterapia não tem como objetivo convencer alguém a abandonar a maquiagem. O trabalho clínico é compreender por que ela se tornou indispensável. O foco não é o rosto, mas o que ele representa emocionalmente.

Ao longo do processo terapêutico, torna-se possível acessar as experiências que fizeram a imagem ganhar esse peso, elaborar sentimentos de vergonha, inadequação ou medo e construir uma relação mais segura consigo mesma. Josie Conti destaca que “quando a pessoa passa a se sentir emocionalmente vista, a necessidade de se esconder diminui”.

Em alguns casos, abordagens como o EMDR podem auxiliar no reprocessamento de memórias ligadas a humilhações, críticas ou exposições precoces, ajudando o corpo a sair do estado constante de alerta.


Quando buscar ajuda

Se a ideia de sair sem maquiagem provoca angústia intensa, sensação de desamparo ou medo de rejeição, isso não deve ser minimizado. Não é futilidade, nem exagero. É um sinal de que algo mais profundo está em jogo.

Como lembra Josie Conti, “não é sobre o rosto que se mostra, mas sobre o medo de não ser suficiente sem ele”. E esse medo pode — e merece — ser cuidado.


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Josie Conti

JOSIE CONTI é psicóloga com enfoque em psicoterapia online, idealizadora, administradora e responsável editorial do site CONTI outra e de suas redes sociais. Sua empresa ainda faz a gestão de sites como A Soma de Todos os Afetos e Psicologias do Brasil. Contato para Atendimento Psicoterápico Online com Josie Conti pelo WhatsApp: (55) 19 9 9950 6332

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