Premiado filme de suspense na Netflix só tem um defeito: Não te deixa parar de pensar nele

Imagine assistir a um filme e, horas depois, ainda estar em silêncio, encarando o teto, repassando cada cena, cada frase, cada olhar suspeito. Esse é o “defeito” de ‘As Duas Faces de um Crime’ (Primal Fear, 1996), o thriller psicológico estrelado por Richard Gere e Edward Norton que acaba de chegar ao catálogo da Netflix e, mesmo quase três décadas após seu lançamento, continua sendo uma pedrada na cabeça — no melhor dos sentidos.

Dirigido por Gregory Hoblit e baseado no livro de William Diehl, o longa tem todos os ingredientes de um bom drama de tribunal: crime brutal, reviravolta jurídica e personagens ambíguos. Richard Gere vive Martin Vail, um advogado carismático, narcisista e apaixonado pelos holofotes, que decide defender gratuitamente um jovem coroinha acusado de assassinar um influente arcebispo de Chicago. O acusado em questão é Aaron Stampler, um rapaz gago e aparentemente inofensivo interpretado com maestria por um então estreante Edward Norton.

A partir daí, o que parecia um caso clássico de “bom moço injustiçado” se transforma numa espiral de tensão e desconforto. O roteiro afiado brinca com nossas convicções morais e faz o espectador oscilar entre empatia e desconfiança. Quando surge a hipótese de transtorno dissociativo de identidade — com a personalidade violenta de Roy emergindo em sessões psiquiátricas — o filme mergulha de vez no suspense psicológico e deixa no ar uma pergunta que ecoa até o fim (e depois dele): quem é Aaron, afinal?

Edward Norton brilha com uma performance que transcende a tela. Sua atuação não só lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, como também marcou uma das estreias mais impressionantes da história do cinema. Gere, por sua vez, segura bem a arrogância calculada de seu personagem, que, no fundo, se vê diante de algo que nem toda experiência jurídica é capaz de decifrar: a complexidade da mente humana.

Mas o que realmente faz As Duas Faces de um Crime grudar na cabeça do espectador é o final. Sem dar spoilers, é seguro dizer que o desfecho vira a história de ponta-cabeça e entrega um dos melhores plot twists do gênero. Não é gratuito, não é forçado — é apenas genial.

Este é aquele tipo de filme que, ao terminar, te obriga a voltar mentalmente para a primeira cena, agora com um novo olhar. E talvez seja por isso que ele não sai da sua cabeça tão cedo. A única armadilha é essa: As Duas Faces de um Crime não termina nos créditos. Ele continua com você, instigando, provocando e fazendo pensar. Se você gosta de narrativas que desafiam a lógica e testam sua capacidade de julgamento, prepare-se: este filme não é só um clássico do suspense. É um clássico da dúvida.

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