Marcel Camargo

Pessoas que se vendem não valem um centavo

Não é de hoje que o luxo, a riqueza e o conforto são atrativos e valorizados nos meios sociais. Com o advento das mídias, incluindo-se a internet, a ostentação, por si só, tornou-se algo rentável, como que um meio de vida. Existem pessoas que sobrevivem e ganham muito dinheiro, inclusive, apenas vivendo e se mostrando, estampando capas de revistas, programas de televisão, perfis que bombam nas redes sociais, por serem ricas e, consequentemente, famosas.

Nesse contexto, não raro se confundem os valores, deixando-se a essência de lado, enquanto se supervalorizam as aparências, ou seja, o que se tem sobrepõe-se ao que se é, porque o que se vê torna-se referência em quaisquer julgamentos sobre o outro. Basta perceber que os cantores atuais também trabalham a imagem, seus corpos e cabelos, pois devem vender muito além de sua voz. Parece que qualquer talento necessariamente precise atrelar-se a um corpo esguio, uma vez que a mídia pede isso.

Nessa lógica materialista, as pessoas acabam sendo tomadas como objetos que podem ser comprados e usados. Infelizmente, tudo vem se tornando mercadoria: pessoas, sentimentos, casamento, empregos, como se o único meio de ocuparmos um lugar ao sol fosse pela sua compra. Compram-se votos, cargos, vaga na faculdade, compram-se amizades, testemunhos, compra-se amor. Sobra pouco para quem não tem grana, mas o que sobra é, ao menos, real.

Nada substitui a satisfação e o contentamento proporcionados pelas conquistas que alcançamos com nossos próprios méritos, pelo que somos verdadeiramente e oferecemos afetivamente. Tudo o que chega com sinceridade e vontade fica e enriquece, pois soma e agrega valores nobres que dinheiro algum corrompe. Quem fica junto pelo que temos dentro de nós traz intensidade, inteireza e completude. Serão os abraços reconfortantes, faça sol ou caia chuva torrencial, sem hesitações, sem meias verdades. Serão o corpo e a alma.

Tentar conquistar algo ou alguém por outros meios que não a nossa verdade nos igualará ao nível de quem se vende. Temos, portanto, que aprender a valorizar além das aparências, apreciando o melhor que cada um possui dentro de si. É preciso cautela com o que brilha demais, afinal, lembremo-nos das mariposas: atraídas pela luz das lâmpadas, acabam antecipando o próprio fim.

Imagem de capa: oneinchpunch/shutterstock

Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar". É colunista da CONTI outra desde outubro de 2015.

Recent Posts

Por que tantas pessoas emocionalmente fortes estão entrando em colapso silenciosamente? Psicóloga Josie Conti explica

Existe um tipo de sofrimento emocional que quase ninguém percebe de imediato. Ele não costuma…

2 dias ago

Qual arquétipo feminino rege sua personalidade? Escolha 1 deusa e descubra

Tem imagens que funcionam quase como um espelho simbólico. A gente olha rápido, acha que…

2 dias ago

Como é o local nas Maldivas onde cinco turistas perderam a vida ao mergulhar

O que existe abaixo das águas cristalinas onde turistas se aventuraram e perderam a vida…

3 dias ago

Irreconhecível ou igual? Veja como está hoje o grande galã dos dramas da TV aos 77 anos!

Será que adivinha quem é? O maior galã da TV reapareceu aos 77 anos com…

3 dias ago

Se nos armários da sua casa surgirem estes insetos… você pode estar ignorando um sinal importante dentro da sua casa

Se este inseto misterioso aparecer na parede... significa que a sua casa está te dando…

3 dias ago

A erva que muita gente tem em casa pode ajudar contra fungos, bactérias e dores inflamatórias

Pouca gente sabe, mas essa erva comum tem compostos ligados ao combate de fungos e…

3 dias ago