Josie Conti

“Estou pensando em desistir de tudo”: quando a mente chega no limite (e o que realmente ajuda)

Há um momento na vida em que a frase “estou pensando em desistir de tudo” aparece não como drama, mas como falta de fôlego. É quando as responsabilidades viram um bloco único: trabalho, contas, família, conflitos, cobranças, lutos, frustrações acumuladas… e a mente conclui: “não dá mais”. Muitas pessoas descrevem isso como uma mistura de exaustão, vazio, irritação constante, insônia, sensação de fracasso e uma desesperança que parece definitiva.

A psicóloga Josie Conti costuma traduzir esse estado de forma precisa: “Quando alguém pensa em desistir de tudo, muitas vezes não é o fim do desejo de viver — é o fim do fôlego para continuar do mesmo jeito.” Essa diferença importa porque muda o foco do julgamento para a pergunta certa: o que, dentro e fora de você, ficou insustentável — e como alcançar alívio real?

O que a terapia psicodinâmica entende quando você diz “quero desistir”

A terapia psicodinâmica parte do princípio de que a dor emocional não nasce apenas do que acontece hoje, mas também de como aprendemos a suportar, pedir, calar, agradar, controlar, reagir e nos culpar ao longo da vida. Em momentos de colapso, mecanismos internos que antes funcionavam (por exemplo, “dar conta de tudo”, “não incomodar ninguém”, “ser forte o tempo todo”) deixam de proteger e passam a esmagar.

É comum que a frase “desistir de tudo” seja a ponta do iceberg de conflitos internos como:

  • uma autocrítica severa (nunca é suficiente, sempre falta algo);

  • um medo de depender e, ao mesmo tempo, uma fome de amparo;

  • padrões repetidos de relações (ser sempre o responsável, o invisível, o que “aguenta”);

  • emoções proibidas (raiva, tristeza, vulnerabilidade) que acabam se transformando em exaustão, somatização ou anestesia.

E aqui entra uma segunda contribuição da Josie Conti, muito útil clinicamente: “A mente em colapso pede solução gigante, mas o cuidado começa no básico: corpo regulado, um vínculo seguro e um passo pequeno que devolve controle.” Em psicodinâmica, esse “básico” é também “continente”: antes de interpretar fundo, é preciso estabilizar o suficiente para o sujeito voltar a pensar e sentir sem ser engolido.

Por que tudo piora quando o corpo está no limite (e por que isso não é “fraqueza”)

Muita gente tenta entender o desespero apenas como “mental”, mas ele costuma estar ancorado em desgaste fisiológico: sono ruim, tensão crônica, alimentação irregular, excesso de telas, sobrecarga de trabalho, pouco descanso real.

Segundo a Divisão de Medicina do Sono da Harvard Medical School, sono e humor se influenciam fortemente: dormir mal aumenta irritabilidade e estresse, enquanto um sono saudável favorece bem-estar; e a insônia crônica pode elevar o risco de transtornos de humor. Quando esse corpo não recupera, o cérebro perde flexibilidade e o mundo fica mais ameaçador. Isso pode se misturar a sintomas depressivos — e a OMS ressalta que existem tratamentos eficazes para depressão, incluindo psicoterapias e, em alguns casos, medicação, recomendando buscar cuidado quando há sintomas.

A psicóloga Josie Conti costuma dar uma orientação que, apesar de simples, é poderosa: “O oposto do desespero nem sempre é alegria: às vezes é só um pequeno alívio hoje — e a coragem de não decidir nada definitivo no pior dia.” Em outras palavras: quando você está no limite, o objetivo inicial não é “resolver a vida”; é diminuir o volume do sofrimento para recuperar escolha.

“Desistir de tudo” também pode ser esgotamento: o nome disso importa

Se o seu “desistir” tem a ver principalmente com trabalho, a OMS descreve o burnout (no contexto ocupacional) como um fenômeno ligado a estresse crônico no trabalho que não foi bem administrado, com três dimensões: exaustão, distanciamento/cinismo e redução de eficácia profissional.
Nomear isso ajuda a tirar a culpa moral do centro e colocar uma pergunta prática: o que precisa ser ajustado (ritmo, limites, apoio, sentido, ambiente, expectativas) para você voltar a ter vida interna?

Onde o EMDR entra: quando a dor está “presa” e o presente dispara o passado

Em muitos adultos, o desespero não vem só de “hoje”. Ele é ativado porque experiências antigas (traumas, perdas, rejeições, humilhações, negligências, violência, relacionamentos abusivos, ou microtraumas repetidos) deixam marcas que o corpo e a mente continuam reagindo como se o risco ainda estivesse acontecendo.

O EMDR (Eye Movement Desensitization and Reprocessing) é uma abordagem terapêutica estruturada, amplamente usada para tratar consequências de trauma. Diretrizes da Organização Mundial da Saúde para condições relacionadas ao estresse recomendam considerar tratamentos como EMDR  para adultos com TEPT.
A American Psychological Association (APA) também inclui EMDR como opção sugerida em sua diretriz clínica para TEPT.
E revisões sistemáticas, incluindo uma revisão da Cochrane, encontraram que EMDR pode ser melhor do que lista de espera/cuidados usuais na redução de sintomas de TEPT (embora a qualidade da evidência varie entre estudos).

Além de TEPT, há meta-análises indicando que, em pacientes com TEPT, EMDR pode reduzir também sintomas associados como depressão e ansiedade.
E há revisões/meta-análises examinando EMDR para sintomas depressivos em diferentes contextos, sugerindo efeitos positivos em alguns conjuntos de estudos (com a ressalva de heterogeneidade e necessidade de mais pesquisas de alta qualidade).

A própria OMS, ao divulgar orientações pós-trauma, menciona EMDR como uma das técnicas avançadas a considerar e destaca a importância de treinamento e supervisão para ampliar acesso com segurança.

Terapia psicodinâmica com EMDR: integração, não “duas terapias soltas”

Quando se integra psicodinâmica e EMDR, a lógica fica mais conectada:

  • A psicodinâmica ajuda a entender por que certos temas doem tanto (abandono, humilhação, rejeição, controle, culpa), quais papéis você foi forçado a ocupar, como suas defesas se formaram e como padrões se repetem nos vínculos.

  • O EMDR pode ajudar a destravar memórias/experiências que seguem “ativas” no sistema emocional, reduzindo a carga e a reatividade, para que a pessoa tenha mais liberdade de escolha no presente.

Em adultos, isso costuma ser decisivo quando a pessoa diz algo como: “Eu sei racionalmente que não é o fim do mundo… mas meu corpo reage como se fosse.” A integração permite trabalhar tanto o sentido (psicodinâmica) quanto o processamento (EMDR), sem reduzir a clínica a “técnica” nem a terapia a “só conversa”.

É nesse ponto que a especialidade da psicóloga Josie Conti em EMDR se torna um diferencial: ela pode conduzir um trabalho que acolhe o sofrimento atual, investiga os fios emocionais que sustentam o colapso e, quando indicado, usa EMDR para tratar núcleos traumáticos que alimentam desesperança, hiperalerta, culpa ou sensação de desamparo.

O que fazer hoje, se você está no limite (passos pequenos que funcionam melhor do que promessas grandes)

Sem “frases prontas”, o que tende a ajudar no curto prazo é recuperar três coisas: corpo, vínculo e mínimo controle.

  1. Corpo (reduzir 5% do peso agora): água + algo simples para comer + banho + deitar no escuro por 20 minutos. Parece pouco, mas quando o sistema nervoso está em colapso, isso é intervenção real. (Lembre do ponto da Harvard sobre sono e humor: regular o básico muda a leitura emocional do mundo.)

  2. Vínculo (presença, não solução): mande uma mensagem objetiva: “Hoje eu tô no limite. Você pode ficar comigo 10 minutos (mensagem/ligação)? Não preciso de conselho, só companhia.”

  3. Controle mínimo (10 minutos, não 10 anos): escreva em 5 linhas:

  • “O que está me esmagando hoje é…”

  • “O que eu consigo fazer nos próximos 10 minutos é…”
    Esse “microcontrole” gera evidência interna de que você ainda pode agir — e isso enfraquece a desesperança.

Se você estiver sem segurança agora

Se você sente que está sem segurança, com medo do que pode fazer, ou não consegue ficar sozinho(a) com esses pensamentos, procure ajuda imediatamente.

No Brasil, o CVV (188) oferece apoio emocional gratuito, 24 horas por dia (telefone e também chat/e-mail).


Se houver risco imediato, procure um serviço de urgência da sua cidade ou acione alguém de confiança para ficar com você agora.

Indicação profissional ao final

Se você se reconheceu neste texto, considere transformar “desistir de tudo” em um pedido legítimo de cuidado — com método, acolhimento e profundidade.

Psicóloga Josie Conti
Atendimento online e presencial (Socorro–SP).
Abordagem psicodinâmica integrada ao EMDR, com foco em adultos em sofrimento intenso, desesperança, ansiedade, depressão, esgotamento e impactos de trauma (inclusive traumas relacionais e experiências repetidas de desamparo).

Agende com a Psicóloga Josie Conti:

  • WhatsApp: (19) 9 99506332

  • Instagram: @contioutra

  • E-mail: contato.contioutra@gmail.com

  • Site: www.josieconti.com.br

Josie Conti

JOSIE CONTI é psicóloga com enfoque em psicoterapia online, idealizadora, administradora e responsável editorial do site CONTI outra e de suas redes sociais. Sua empresa ainda faz a gestão de sites como A Soma de Todos os Afetos e Psicologias do Brasil. Contato para Atendimento Psicoterápico Online com Josie Conti pelo WhatsApp: (55) 19 9 9950 6332

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