O que mais me perturba no bullying é o seu processo cruel de isolamento.
Qualquer um tem o direito de não gostar de alguém, desde que guarde a opinião para si. Mas não é o que acontece: há a intenção de convencer que um colega não merece estar ali, para diminuir a concorrência.
Como se fosse um enviado do inferno, a liderança do mal condena o desafeto ao exílio da roda de conversas.
A estratégia é sempre a mesma: desmontar a reputação, apagar a razoabilidade dos posicionamentos, tirar o respeito, não deixar ninguém ajudar.
Começa uma campanha lenta de difamação, com o objetivo de anular o poder de argumentação e de defesa do outro, para que ninguém mais acredite em suas palavras.
A sequência dos fatos nunca muda. É uma evolução sutil do defeito ao preconceito.
Primeiro, o agressor psicológico diz que a pessoa não fala nada com nada, é inoportuna e insistente, retirando o contexto de seus depoimentos, fazendo piadas, debochando do jeito de falar, de se vestir e de se comportar. Em seguida, alega que a pessoa é muito esquisita, estabelecendo uma diferença duvidosa no grupo. Depois, insinua que o caso é mais grave do que parecia, que ela é louca, que tem algum transtorno, já formando uma opinião coletiva de que se trata de uma ameaça para o bem-estar da rotina.
1. chata
2. esquisita,
3. louca.
O golpe fatal vem ao mudar o discurso da aversão para a pena – a compaixão é a última fase: ela precisa de amparo médico, mantenha-se longe de suas crises para não se machucar.
Se a pessoa é reconhecida como doida, não pode nem mais ser julgada. Ela se torna imputável e morta socialmente para os demais.
A violência psicológica é tão danosa quanto a violência física, com a diferença de induzir que a própria vítima tome a iniciativa de se machucar. Apresenta-se uma desmoralização da sanidade, para calar a divergência ou oposição. Tudo é erro, tudo é falha pessoal. Ela nem pode mais se expressar livremente, vive pedindo desculpas para tentar reaver a sua importância.
A imolação chega a doer: ela não cometeu nada de grave para gerar tamanha súplica. Mas, como a turma tem idêntica visão dela, passa até se considerar desequilibrada.
Se eu adaptasse o conto “Patinho Feio” do dinamarquês Hans Christian Andersen para os tempos atuais de BBB, chamaria a fábula de “Patinho Louco”. É aquele ser carinhoso e preocupado com que os seus amigos pensam, que é taxado de “sem noção”, para que ele caia fora e sobre mais espaço no lago.
No fim da história, descobre-se que todos os patinhos eram abusadores, menos o patinho feio, um cisne da verdade.
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Imagem: reprodução.
Abaixo, segue a publicação original:
PATINHO LOUCO: AS ETAPAS DO BULLYING
Fabrício CarpinejarO que mais me perturba no bullying é o seu processo cruel de…
Publicado por Fabrício Carpinejar em Quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021
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