Ana Macarini

Para que serve um Band-Aid quando a gente sente dor em toda parte?

Quem já passou pela experiência do fim de um amor e já recorreu a relacionamentos sem envolvimento emocional, quem sabe possa me responder. Para que serve um Band-Aid quando a gente sente dor em toda parte?

E tudo bem que em algumas circunstâncias, tudo que a gente quer – ou precisa – é mesmo só de alguma coisa que nos faça parar de arder, pensar, que faça o relógio se tocar que anda segurando o ponteiro nas horas tristes, que nos “tire do ar” por alguns instantes, minutos, horas. E, nesses casos, ok que seja tudo apenas um encontro sem possibilidade de virar desencontro. Um encontro sem pretensão de curar. Uma distração. Só um anestésico mesmo, um Band-Aid.

A grande questão é que – puxa vida – como é que a gente faz para desaprender a achar bonito aquele momento depois do turbilhão de prazer, em que tudo é silêncio e paz? Como é que a gente faz para não achar estranho ter partilhado algo tão íntimo, com quem não se tem nenhuma intimidade?

Pois eu insisto em subverter a lógica do imediato. Eu vou teimar mais um bocadinho nesse estranho hábito de crer na boniteza dos encontros que só sobrevivem nos lugares mais profundos.

Deixo a superfície para aqueles que se satisfazem com a madorna do corpo que apenas flutua. Depois de um amor, eu quero outro amor. Depois de ter amado, eu quero amar de novo.

É lá no fundo que eu me encontro e fico pronta para lançar-me à descoberta de uma nova senha para o acesso de um outro lugar desconhecido. E, muitas vezes, para que se possa semear uma nova história é preciso cortar as raízes de uma história antiga, de um amor que adoeceu.

Cortes profundos e definitivos, às vezes, são a única maneira de alcançar a cura. O fato é que cortes profundos não são em nada parecidos com os arranhões. Eles não ardem. Eles expõem o que há por dentro, o que foi revirado e ressignificado depois do fim.

Então, se alguém puder ou souber, por favor me explique… para que serve um Band-Aid quando a dor não é superficial e quando o apetite desperto não pode ser saciado com algo que anestesie?

Ana Macarini

"Ana Macarini é Psicopedagoga e Mestre em Disfunções de Leitura e Escrita. Acredita que todas as palavras têm vida e, exatamente por isso, possuem a capacidade mágica de serem ressignificadas a partir dos olhos de quem as lê!"

Recent Posts

Por que tantas pessoas emocionalmente fortes estão entrando em colapso silenciosamente? Psicóloga Josie Conti explica

Existe um tipo de sofrimento emocional que quase ninguém percebe de imediato. Ele não costuma…

1 dia ago

Qual arquétipo feminino rege sua personalidade? Escolha 1 deusa e descubra

Tem imagens que funcionam quase como um espelho simbólico. A gente olha rápido, acha que…

1 dia ago

Como é o local nas Maldivas onde cinco turistas perderam a vida ao mergulhar

O que existe abaixo das águas cristalinas onde turistas se aventuraram e perderam a vida…

2 dias ago

Irreconhecível ou igual? Veja como está hoje o grande galã dos dramas da TV aos 77 anos!

Será que adivinha quem é? O maior galã da TV reapareceu aos 77 anos com…

2 dias ago

Se nos armários da sua casa surgirem estes insetos… você pode estar ignorando um sinal importante dentro da sua casa

Se este inseto misterioso aparecer na parede... significa que a sua casa está te dando…

2 dias ago

A erva que muita gente tem em casa pode ajudar contra fungos, bactérias e dores inflamatórias

Pouca gente sabe, mas essa erva comum tem compostos ligados ao combate de fungos e…

2 dias ago