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Os sábados e o amor

Para que serve o sábado de quem trabalha a semana inteira? Quantas respostas possíveis…mas nenhuma me dá mais satisfação pessoal do que aquela que eu tenho me dado: sábado serve, entre outras coisas, para cuidar de mim. Fazer as unhas, cuidar do cabelo, planejar uma viajem e depois entregar-se ao prazer da leitura e um bom café. Um dia inteiro para amar-se sem distrações.

Reflito sobre algumas mulheres que se cuidam apenas para seus parceiros e, quando estes não estão por perto, parecem perder a energia da vida; o contato com si mesmas; a capacidade de reverter amor na sua própria direção.

Como se desconhecessem o fato que o olhar-se no espelho e decidir cuidar da pele, perder uns quilos, ousar num novo corte de cabelo para agradar a si e a mais ninguém são ingredientes da alquimia entorpecente de um amor que, quando fortalecido, nunca morre: o amor próprio. Parecem desconhecer que sem este, aquele não existe. Pelo menos não de forma sã.

Reflito sobre a delícia de amar os momentos de solidão sem sentir-se solitário. E ao invés de temê-los, buscá-los como momentos de comunhão com sua individualidade, seus anseios, seus sonhos mais infantis ou ousados.

Penso na beleza de estar em companhia pelo prazer de estar e não pela necessidade ou conveniência. Penso nisso e dou as boas vindas à maturidade emocional que tem enfiado o pé na porta da mulher que sou, não obstante meus ensaios de resistência, afinal, ser menina requer menos responsabilidade e sempre alguém “que cuide de você” de modo que você não precise fazer o trabalho duro…

Reflito e desprezo o medo de ser grande, acolhendo a vulnerabilidade de ser adulto e o fato de que nada é permanente. Reconheço, com o coração na boca, que a beleza da vida está exatamente aí: no seu movimento!


Aos poucos me despeço do desejo de “tranquilidade” permanente e descubro que braquicardia é para covardes. Vou encarar a taquicardia porque é disso que sou feita: movimento, ousadia e emoção.

Lucy Rocha

Coach de relacionamento, administra a página Relações Tóxicas, na qual dá dicas e apoio a pessoas que vivem, viveram ou sobreviveram a uma relação abusiva. Como advogada, atua principalmente em questões de família. Seu maior prazer é escrever reflexões sobre a vida e sobre o ser humano.

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Lucy Rocha
Tags: sábados

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