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Onde quer que você esteja, estou te mandando amor

Ano passado, assistindo pela primeira vez ao filme “Her”, prestei específica atenção e dediquei algumas posteriores reflexões a uma cena em que Theodore, o personagem principal, destina as seguintes palavras para aquela com quem já teve um relacionamento amoroso: “Seja lá quem você se tornou, onde quer que você esteja no mundo, estou te mandando amor.”

Mandar amor. Existe evidência mais forte de que alguém preencheu de forma bonita a nossa alma e a nossa história – ainda que não caminhe mais ao nosso lado, pelo motivo que for, e que os trajetos separados o tenham transformado em alguém que já não mais sentimos conhecer – que o amor que emanamos quando ele visita nosso pensamento? Que o desejo que grita – daquele que coloca sorriso nos olhos e lágrima no rosto – de que ele e sua incontável coleção de detalhes carregados de pureza, que um dia já soubemos de cor, nunca deixem de estar bem?

Ainda que não exista mais a proximidade que antes permitia ser o abraço nas horas difíceis, é desejar que nunca lhe falte o amparo necessário para que a dureza da vida traga discernimento e amadurecimento, mas jamais caleje a inocência do seu sorriso.

Mesmo que as metas já não sejam mais rabiscadas no mesmo papel, é alegrar-se pelo sucesso do outro como se ele fosse também nosso; é vibrar pelos passos daquele que é dono da dedicação meio torta, mas cheia de vontade de ser feliz, daquele cujas lágrimas de medo e tentativas frustradas ainda evaporam de nossas camisetas.

É desejar que ele encontre os filmes e as músicas que o toquem e jogos novos que o divirtam; para que não dê problema no carro e sobre um dinheirinho no final do mês; para que, principalmente, sua vida sempre esteja permeada com a serenidade e coragem suficiente para sentir e aprender com as diferentes cores do mundo.

É carregar a paz que é, sem esforço algum, ser capaz de – genuinamente e com uma força absurda- mandar amor para uma vida, simplesmente pela certeza de que, independente do tipo ou do tempo de relação, foi exatamente a beleza dele que ali existiu, afinal, ainda que não se brinque mais da sincronia dos passos, haverá eternamente muito daquele que amamos impresso em nosso caminhar.

Encontre o filme “Her” aqui.

Patrícia Pinheiro

Patrícia Pinheiro tem 25 anos, é natural de Santa Maria - RS, morando em Florianópolis -SC. É formada em Psicologia e amante das palavras. Poeta e escritora, compartilha seu trabalho em suas redes sociais e é colunista do site Conti outra.

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