Às vezes, chega um momento na vida em que a gente descobre que não controla todas as coisas, que nem tudo vai dar certo só porque a gente quer, que por mais que a gente torça, algo vai dar errado, não vai acontecer no tempo “certo”, e, inequivocamente, teremos que parar, olhar para a esquerda, a direita, o passado e o futuro, sem saber direito como agir e o que vai acontecer.
O medo enorme que toma conta de nós – fruto de uma sociedade que nos cobra autocontrole, disciplina, produtividade e sucesso independente de qualquer coisa – impede-nos de perceber que momentos de crise podem ser momentos de descobertas, de autodescobertas, de mergulhos necessários e preciosos no âmago do nosso ser.
Muito embora as forças hegemônicas que comandam a nossa sociedade queiram nos vender a ideia de que somos infalíveis, ou melhor, temos necessariamente que ser, isso não é verdade. É uma ilusão que, ao comprarmos, temos que desesperadamente alimentar, a fim de que as máscaras não caiam e as cortinas se abram, trazendo à tona todo o espetáculo que nos circunda, do qual não passamos de meros coadjuvantes.
Todavia, por mais resistentes que sejam as máscaras e fortes que sejam as cortinas, uma hora ou outra, algo sai do lugar e nós nos vemos perdidos, sem saber no que crer e a qual santo elevar nossas velas. É exatamente nesses momentos de crise, em que nos sentimos estranhos no ninho, que devemos romper as cordas e assumir as rédeas da própria vida, o protagonismo da nossa existência.
E não é que seja fácil, pois não é. Mas, não vale a pena viver uma vida de sorrisos por fora e soluços por dentro. Como disse o poeta, a vida é curta para ser pequena. E por ser curta, ela não comporta reprises, nem nos dá segunda chance. É pra valer e sem ensaio. No entanto, se ainda assim, preferes continuar sendo controlado de forma passiva e quieta, já não há o que fazer… embora a cobrança sempre chegue e, às vezes de tão alta, não há tempo suficiente para pagar.
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