Tem filme que você termina e sente vontade de mandar mensagem pra alguém — nem que seja só pra soltar um “você precisa ver isso”. A Vida Invisível é desse tipo.
Ele não depende de reviravolta barulhenta: a tensão vem de uma coisa bem mais cruel e cotidiana… o que fica entalado quando duas pessoas que se amam são empurradas para lados diferentes e o tempo faz o resto.
Dirigido por Karim Aïnouz, o longa se passa no Rio de Janeiro dos anos 1950 e acompanha duas irmãs muito ligadas, Eurídice e Guida, que acabam separadas pelo pai e passam a vida tentando se reencontrar.
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A premissa é simples — e por isso mesmo tão eficiente: o filme te coloca dentro das consequências dessa ruptura, sem pressa, mas sem folga.
Eurídice (Carol Duarte) tem um talento enorme ao piano e sonha com uma carreira profissional; Guida (Julia Stockler) é mais impulsiva, mais “vai ou racha”, e acredita que dá pra viver um amor do jeito dela.
Quando a família força um corte entre as duas, cada uma vai sendo engolida por um cotidiano que exige obediência, silêncio e aparência de normalidade — ainda que por dentro esteja tudo desmoronando.
O que faz A Vida Invisível funcionar tão bem num sábado à noite (principalmente se você quer um filme que renda conversa depois) é que ele tem duas camadas ao mesmo tempo: é um melodrama cheio de emoção, e também um retrato bem direto de como uma casa “respeitável” pode virar uma máquina de controlar destino alheio.
O filme é baseado no livro A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, da escritora Martha Batalha, e o roteiro preserva esse senso de tempo passando com coisas importantes sendo empurradas pra baixo do tapete.
Aïnouz constrói essa sensação com detalhes de vida prática: o jeito como as pessoas se policiam na mesa, a burocracia emocional que vira regra, o peso de ter que “se comportar” o tempo inteiro.
E tem uma curiosidade que ajuda a entender por que isso parece tão verdadeiro: durante a pesquisa do roteiro, o diretor entrevistou mulheres entre 70 e 90 anos sobre casamento, vida privada e primeiras experiências — um material que dá ao filme um tom de memória vivida, não de “história de época” plastificada.
As atuações são o motor da história. Carol Duarte faz uma Eurídice que tenta ser educada, correta, impecável… até o corpo cobrar. Julia Stockler, como Guida, tem uma energia que parece sempre prestes a atravessar qualquer parede — e, quando essa energia bate na realidade, o impacto é forte.
O elenco ainda traz nomes como António Fonseca e a participação especial de Fernanda Montenegro.
Visualmente, o filme acerta em cheio ao evitar “cartão-postal”: o Rio aparece quente, apertado, íntimo, com interiores que parecem apertar as personagens. A câmera fica perto, como se estivesse ouvindo conversa atrás da porta.
E a trilha — com o piano como desejo e frustração — dá um tempero emocional que combina com aquela sessão noturna em que você quer sentir o filme, não só acompanhar a história.
Se você está procurando um romance “de casal” no sentido clássico (beijos, clima leve, final confortável), aqui o caminho é outro. A sensualidade existe, mas vem misturada com urgência, afeto e escolhas que custam caro.
O interesse do filme está em ver como essas mulheres seguem vivendo, amando, trabalhando e insistindo, mesmo quando o mundo ao redor finge que elas não têm direito a querer mais. E é aí que A Vida Invisível pega: ele faz você torcer por pequenas vitórias — e doer nas derrotas silenciosas.
Não à toa, o longa estreou em Cannes e venceu o prêmio da mostra Un Certain Regard em 2019, e também foi escolhido para representar o Brasil na disputa do Oscar daquele ano (ainda que não tenha avançado na seleção final).
Pra quem gosta de fechar a noite com um filme “bonito de ver” e difícil de esquecer, é uma escolha certeira. Na Netflix Brasil, A Vida Invisível aparece como produção de 2019, indicada para maiores de 16 anos, com Carol Duarte e Julia Stockler no elenco principal.
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