O amor nasce nas pequenas coisas.

Bonito é vê-la acordando, vestindo minha velha camiseta amarela e suas meias cinza, grossas e quentinhas aquecendo os pés. Bonito é perceber o abrir de seus olhos, vê-los me encontrar e ganhar seu sorriso meio sem graça porque está despenteada. Nos dias frios ela se aninha em mim, ganho seu calor, sinto seu cheiro, um do outro, assim que é. Bonito é vê-la levantar cheia de preguiça boa e ela tem um espreguiçar tão bonito, mãos pra cima ganhando o céu, um gemidinho dengoso de mocinha tímida, mas um ajeitar de cabelo sexy que só vendo. Bonito é seu pé com chinelo e meia, é minha camiseta amassada em sua pele, é seu rosto natural, é a vida sendo normal. Bonito é viver a dois, assim “feijão com arroz”, mistura, sabor, harmonia. A gente divide o café, a gente divide o pão, divide o coração, a gente divide a vida. Pois um dia se descobre que é a simplicidade que rega o amor, que é na conquista bonita de cada dia que ele cresce, que é em cada pequeno detalhe, em cada pequeno toque que ele se renasce.

Precisamos de alguém assim, que nos equilibre na balança das relações. Dois corações. Nem mais, nem menos. Nem muito, nem pouco. Quando encontramos alguém que nos espelha, tudo que nos rodeia se torna cor, tudo que brota na alma é amor, todo toque é quente, fervor. Quando nos vemos refletidos em outros olhos, é sinal de que nossa aliança espiritual foi encontrada. O amor sempre vem. Nunca procure, nunca se faça buscar. É nas curvas do mundo e nas certezas do tempo, que aquele que vai te flamejar a vida vai te descobrir e, da mesma forma, você o descobrirá. Quando esse amor nascer, não haverá cicatrizes, nem lembranças, nem passado. Haverá você e ele, um futuro, um do outro, lado a lado.

Bonito mesmo é essa beleza crua, exposta, sem retoques. A gente se apaixona mesmo é pelo olhar que nos procura, pelo sorriso que nos encanta, pela voz que nos cativa. Roupas e maquiagens até atraem, mas o que faz ficar é essa essência do ser belo no simples, do ser cativante na rotina, do ser apaixonante toda vida. A beleza do corpo pode até ser o convite, mas é na beleza da alma que a gente faz moradia, é nela que a gente entra e quer ficar. O que está dentro é o que conquista, é o que agarra, é o que brilha, é o que faz cada história se eternizar.

Imagem de capa: George Rudy/shutterstock

Cleonio Dourado

Escrever é uma fuga que sempre uso. Não tenho temas. Não tenho destinos. Alguns devaneios e desatinos, quem sabe. Solto as palavras ao vento. Viajo ao vê-las viajando pelo ar. Recolho as que voltam nos relentos das manhãs e me lavo em seus afagos. Me aguo, me renasço. Palavras me acariciam a alma, me despertam sentimentos, paz, calma. Leio, releio, rascunho e escrevo. Faço dos textos da minha lida, as estrelinhas da minha vida.

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