Marcel Camargo

Nunca se culpe por perder uma batalha que você lutou sozinho

A gente vai dar de cara contra o muro, vai colher dor e decepção, a gente vai dar errado em determinados momentos, é assim que a vida roda. Seremos rejeitados, preteridos, dispensados e despedidos, com ou sem aviso prévio. E, caso a gente carregue toda a culpa por tudo o que nos acontecer, seremos o maior obstáculo ao nosso próprio reerguimento.

Algumas vezes, seremos, sim, os responsáveis pelas colheitas amargas que colhermos por aí, por termos agido irrefletidamente, ou de forma egoísta, por termos nos comportado de acordo tão somente com o que queríamos, sem pensar em ninguém mais. Quando a gente se esquece de visualizar o outro enquanto toma atitudes, certamente machucaremos alguém nesse percurso. Porque ninguém é uma ilha, ou seja, é preciso ter consciência do alcance de nossas ações.

Outras vezes, até teremos uma parcela de culpa sobre o que vem ao nosso encontro, mas não integralmente. O outro, nesses casos, também poderá ter agido impensadamente, de uma forma mesquinha, sem nos ter dado uma outra chance, como poderia. Ambas as partes, então, dividirão o peso das atitudes ou da omissão perante aquilo que não vingou, que não deu certo.

Porém, vez ou outra, passaremos por algumas tempestades que tentamos, a todo custo, evitar, infelizmente de forma solitária. Se somente nós lutarmos pela manutenção do amor, da amizade, de qualquer laço que seja, sem engajamento algum do lado de lá, seremos inevitavelmente derrotados. Relações afetivas não sobrevivem com ida sem volta, com dar sem receber, com retorno vazio. Ninguém fica onde não existe reciprocidade.

Portanto, não se sinta mal após perder uma luta, de forma solitária, embora dependesse da cumplicidade de outrem. Não sinta remorso após ter se doado e feito o seu melhor, por ter acreditado no amor que você queria compartilhar. Quem não recebe o amor é que sempre sairá perdendo, ao passo que a verdade que você carrega em seu coração permanecerá intacta e pronta para encontrar guarida junto a alguém que vai saber amá-lo de fato. Como deve ser.

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Photo by Stephen Leonardi on Unsplash

Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar". É colunista da CONTI outra desde outubro de 2015.

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