JORNALISMO

Novas pistas podem ajudar a solucionar mistério de morte de brasileira na Holanda

A morte da brasileira Taiany Caroline Martins Matos, de 32 anos, segue cercada de dúvidas e preocupações para sua família e amigos. Natural de Brasília, a pedagoga faleceu após cair do quarto andar de um prédio em Breda, na Holanda, na última sexta-feira (3). Apesar de a polícia holandesa ter concluído que não houve crime, novos relatos sugerem que o caso pode ser mais complexo.

Testemunhas ouvidas por jornais locais relataram gritos desesperados, incluindo frases como “Não faça isso”, momentos antes da queda de Taiany. A brasileira estava no apartamento do namorado, um holandês de 53 anos, único presente no local. Segundo ele, a morte foi acidental: Taiany teria se desequilibrado ao se pendurar em uma janela.

Relatos de amigas revelam indícios de abuso

A família de Taiany questiona a investigação da polícia, que teria sido concluída em apenas um dia e sem ouvir testemunhas. Para os parentes, os relatos de amigas da vítima contradizem a versão oficial. Segundo Naiany Martins, irmã de Taiany, colegas da brasileira relataram que ela vivia um relacionamento abusivo, sendo proibida de trabalhar e sair com conhecidos.

“Ele (o namorado) dizia que queria casar com ela e era muito romântico. Deu de presente de aniversario para a Taiany uma viagem para o Brasil. Ela chegou aqui dia 14 de novembro e ele queria a controlar, tinha que ver a nossa mãe para acreditar que ela estava em casa. Ela só podia ficar dentro de casa. Até chegamos a falar para ela não voltar mais para a Holanda, mas ela disse que gostava dele e que tinham planos de casar”, contou Naiany. Antes de sua morte, Taiany teria relatado às amigas que estava com medo do namorado. Na manhã do dia 3 de janeiro, após passar a noite com amigas contra a vontade dele, a pedagoga teria telefonado relatando que o homem tentava tomar seu celular.

Testemunhas reforçam hipóteses de agressão

O jornal holandês BN DeStem publicou depoimentos de moradores que estavam próximos ao prédio na hora da queda. Eles relataram sons que sugerem uma situação de violência, como gritos de socorro e frases de alerta. “Parecia que alguém estava sendo atacado”, afirmou uma das testemunhas.

Dificuldades para trazer o corpo ao Brasil

A família de Taiany enfrenta obstáculos financeiros para trazer o corpo da pedagoga ao Distrito Federal. O custo estimado do translado é de 7 mil euros. Segundo os parentes, o namorado da brasileira se recusou a ajudar. Uma vaquinha foi criada para arrecadar os fundos necessários.

“A minha mãe abraçou a filha dela no dia 27 de dezembro com vida e quer ter a chance de se despedir dela de forma digna também ”, disse Naiany. O Itamaraty foi acionado, mas ainda não respondeu sobre o caso.

Uma vida interrompida

Formada em pedagogia e poliglota, Taiany se mudou para a Europa há seis anos em busca de uma vida melhor. Amava viajar e era descrita pela família como uma mulher cheia de vida. Antes de conhecer o namorado, trabalhava em uma pizzaria na Bélgica. Agora, seus entes queridos buscam respostas para o que realmente aconteceu.

“Ela conseguiu aproveitar muito a vida. Era uma mulher cheia de vida. Estamos arrasados ​​e em busca de respostas ”, concluiu a irmã.

O caso permanece sob apuração, e a família aguarda um posicionamento das autoridades holandesas.

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