Marcel Camargo

Ninguém conseguirá tirar de você aquilo que não estiver disponível

Nem tudo o que estiver junto conosco agora poderá permanecer. Nem todos que estão em nossas vidas atualmente poderão ficar para sempre. Somos capazes de eternizar dentro de nós os momentos, as vozes, os sorrisos, as atitudes, os olhares, ou seja, o que sentimos, o que as coisas e as pessoas nos fizeram sentir. Lá fora, nada é previsível e permanente.

O amadurecimento requer lidar com as perdas, com os afastamentos, com as separações que a vida força, uma ou outra hora. Requer entender que nem tudo é culpa nossa, que nem todos nos retornarão afetivamente na mesma medida, que certas coisas e determinadas pessoas não farão parte de nossa jornada o tempo todo. Muitas, inclusive, não estarão conosco nem por um segundo.

Às vezes, poderemos até pensar que alguém tirou de nós alguma chance, alguma amizade, um emprego, um parceiro. No entanto, será preciso ter a consciência de que o que saiu nem era nosso de fato. Aquilo que saiu, muitas vezes, foi o que deixamos escapar, foi quem não nos valorizava, quem não nos merecia. Foi algo a que não nos dedicamos com afinco, com o cuidado necessário.

Muitas pessoas saem de nossas vidas porque não oferecíamos mais nada que lhes interessasse. Ou porque não regamos o suficiente, ou porque elas mesmas não mais prestavam atenção em nós. Às vezes será nossa culpa, outras vezes não. Pode até ser que , inconscientemente, paremos de nos dedicar ao que queremos tirar de nossas vidas, até que saia de vez. Isso em vários setores, como em relação a empregos, amizades e amores.

Enfim, ninguém tira de você o seu parceiro, o seu emprego, o seu amigo, ou as oportunidades, a não ser que estejam disponíveis. Cabe-nos conseguir lidar com isso, aprendendo com cada perda que pontuar o nosso caminho, no sentido de regarmos com afeto e dedicação tudo o que quisermos manter por perto, para que não carreguemos culpas e remorsos pelo resto de nossos dias.

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Photo by Daria Obymaha from Pexels

Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar". É colunista da CONTI outra desde outubro de 2015.

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