Sabemos que circula entre nós a Covid-19, uma doença altamente contagiosa e letal, que criou uma atmosfera de fim dos tempos: restrições de ir e vir, proibição de aglomerações, redução de contatos físicos e uso obrigatório de máscaras, que exigem um esforço individual e coletivo, para conter a transmissão do vírus.
É como se a vida tivesse dias incertos, que vibram de temor os nossos corações, um ambiente que se instalou em todo o planeta. Apesar disso, existem muitas pessoas que negam a realidade e querem viver a qualquer custo, danem-se as consequências.
O que mostra que estamos despreparados para enfrentar a solidão e ansiedade do distanciamento social. Freud, explicou que os sujeitos que são obrigados a renunciar às suas necessidades de prazer sofrem danos psíquicos, que mudam de intensidade, conforme o rigor das renúncias e dos desejos que são obrigados a abdicar.
Na pandemia, por uma questão de cuidado, os indivíduos precisam renunciar os prazeres sensoriais e diminuir a dimensão dos cinco sentidos. Essa pressão produz um estado de tensão corporal, que perturbam a saúde emocional e a mobilidade espontânea do corpo, limitando a sua autoexpressão.
Assim, vivemos um momento extremamente complexo e delicado, que mexe com as nossas atitudes e tomadas de decisões cotidianas, interferindo diretamente em nossa postura corporal, ideias e sentimentos, que nos impulsionam em busca de proximidade física e de agrupamentos humanos.
O que revela que nestes dias ruins tanto o amor quanto à tristeza nos fragilizam, como enfrentar isso? É acreditar que a vida está baseada na confiança em si mesmo e nos outros, e que podemos enfrentar a crise juntos. Então, não sufoque as emoções: se está triste, chore, se está alegre, sorria e se puder fique em casa.
É importante lembrar que o nosso corpo é mais alma do que pensamos. É também espírito, que em latim, quer dizer sopro e alma, em hebraico, significa hálito. Essa compreensão espiritual nos ajuda a ficar em quarentena, a fim de proteger a nossa saúde da letalidade do vírus.
A história da humanidade tem sido o encontro entre os seres humanos, que é simbolizado pelo “colo da mãe”. Então, o carinho acalma, mexe com os hormônios, com a pele e com a inteligência, promovendo o nosso bem-estar. Por esse motivo, é dificílimo ficarmos sem o calor humano e de vivermos longe do grupo, se vivêssemos sozinhos seríamos incapazes de sobreviver.
Porém, os neuróticos temem abrir-se emocionalmente, pois eles têm medo de afetos e não conseguem estender as mãos para pedir apoio ou para defenderem-se de agressões, tornando-os mais suscetíveis às incertezas causadas pela pandemia.
Portanto, devemos ter a consciência de cuidar da nossa saúde e proteger a de outrem, tomando as medidas de higiene e controle, que permitem ao sistema de saúde atender à emergência sanitária, reduzindo os óbitos pelo coronavírus. Enfim, essa dolorosa experiência coletiva e de solidariedade pode trazer mudanças na mentalidade contemporânea e nos transformar em pessoas melhores.
Jackson César Buonocore é Sociólogo e Psicanalista
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