Marcel Camargo

Não se vender também tem seu preço

Imagem de capa:  NinaMalyna/shutterstock

Há um alto preço a ser pago pela autenticidade, por amar sem medo, por se dizer o que se pensa, por ser quem você é de fato, por viver as próprias verdades. Mas é somente assim que nos fortalecemos junto a quem nos ama pelo que somos.

Talvez seja parte da natureza humana a necessidade de obter controle sobre o mundo à nossa volta, sobre as pessoas com quem convivemos, numa vã tentativa de equilibrar o tanto de incertezas que nos rodeiam, uma vez que, na verdade, não conseguimos controlar muita coisa. E é assim que muitos de nós acabamos extrapolando os limites do outro, querendo que ele aja, pense e fale exatamente o que quisermos. E haverá um preço para tudo nesta vida, que jamais deixará de nos trazer a fatura das consequências.

Há um preço alto a ser pago pela autenticidade. Viver as próprias verdades, de acordo com o que se possui dentro de si, mesmo que de maneira digna, sem interferir na vida de ninguém, custa caro. A sociedade dita padrões de comportamento que devem ser seguidos, ou sofreremos olhares de reprovação e seremos alvo de julgamentos e de incompreensão por parte, na maioria das vezes, de gente que nem nos conhece direito.

Paga-se caro por amar sem medo. Caso a forma com que nos lancemos ao encontro afetivo não se adeque aos padrões preconizados como morais ou corretos – até mesmo em nome de um Deus isento de amor -, enfrentaremos um caminho penoso de rejeição, de preconceito, pois ainda existem muitas pessoas intrometendo-se onde não são chamadas, confundindo sentimento com barganha e amor verdadeiro com sacanagem, paradas que se encontram no tempo e no espaço.

Dizer o que se pensa também custa caro. Em tempos de comunidades e redes sociais virtuais, estamos todos sendo vitrines de milhares de pessoas, ou seja, postar algum comentário não mais lembra a quando comentávamos algo numa roda de amigos. Porque, por mais que o mundo evolua, muitas pessoas ainda não aprenderam a ouvir o que não lhes agrada, nem toleram conviver com quem pensa diferente, sem ofender com violência e sarcasmo.

Também alto é o preço por sermos cá fora quem somos aqui dentro de fato. E, quanto mais coragem tivermos de buscar o que nos alimente a alma, quanto mais fortes formos e mais certos de nossas convicções, de nosso comportamento, de nossas atitudes, mais seres desgostosos encontraremos pelo caminho, prontos para nos atirar pedras. Sempre haverá quem não é feliz, não quer ser feliz, não suporta ver o outro feliz e teremos que aprender a lidar com isso.

Sim, seremos colocados de lado, criticados, perderemos oportunidades, perderemos pessoas, enquanto estivermos caminhando com o propósito de buscar a felicidade de uma forma que foge ao lugar comum dos manuais retrógrados das convenções sociais. No entanto, é assim – somente assim – que poderemos ter condições de nos manter em pé durante cada tombo, porque então teremos conosco quem nos ama com aceitação verdadeira.

Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar". É colunista da CONTI outra desde outubro de 2015.

Recent Posts

Os sintomas pareciam de gripe, até que o pai ouviu algo muito estranho na voz do filho de 21 anos

Aos 21 anos, Lucas Martin havia acabado de concluir a faculdade na Universidade de Liverpool,…

1 dia ago

Todos conheciam seu rosto na tela, mas quase ninguém sabia o que acontecia nos bastidores

Durante décadas, June Lockhart foi uma presença familiar para milhões de telespectadores. Primeiro, interpretou uma…

1 dia ago

Quantos quadrados você vê na imagem? Um detalhe faz muita gente terminar a contagem cedo demais

Uma figura geométrica formada por linhas e blocos coloridos virou assunto nas redes sociais por…

1 dia ago

Pensava que a gema alaranjada indicava uma galinha mais saudável? A verdade é outra

Uma gema de cor laranja intensa costuma chamar a atenção quando o ovo é quebrado…

1 dia ago

O avô esperou 13 dias para conhecer a bisneta; bastou olhar seus olhos para fazer uma pergunta

Emily passou boa parte da gravidez tentando entender por que Caleb, seu namorado havia dois…

1 dia ago

Um homem sem-teto pediu sua mão antes de morrer; semanas depois, ela descobriu o que ele escondia

Durante cerca de dois anos, Sarah manteve um hábito antes de chegar ao trabalho: comprava…

2 dias ago