Marcel Camargo

Não desconte sua raiva em quem não tem nada a ver com ela

Quantas vezes não somos surpreendidos com uma resposta atravessada, com uma grosseria ou com o mau-humor alheio, sem nem ao menos termos feito nada para aquela pessoa? Isso é comum a quase todo mundo, seja no trabalho, em casa, na escola, seja na roda de amigos. Nesses momentos, precisaremos ter a certeza de que aquilo não nos atinge diretamente, ou viveremos desgostosos.

Muitas pessoas engolem os dissabores que vêm sentindo e acabam colocando para fora sua revolta em lugares distantes daqueles onde se sentem mal e atingem quem não tem nada a ver com os problemas. Seguram até onde podem a amargura, mas costumam, muitas vezes sem se darem conta, externar seu descontentamento destemperadamente quando menos esperam, de forma injusta.

É assim que vemos chefes gritando com a secretária, colegas se digladiando por causa fútil, pais bravos exageradamente com os filhos, pessoas chegando aos lugares de cara amarrada, sem cumprimentar a ninguém. Não raro, trata-se de situações em que nada do que se encontra naquele contexto relaciona-se com a raiva instalada.

Tudo isso ocorre pelos simples fato de que ninguém suporta guardar dentro de si por muito tempo as tristezas e decepções que se avolumam no dia-a-dia. Uma hora ou outra, aquilo tudo tem que sair e, infelizmente, muitas vezes acaba vindo à tona junto a quem nem imagina o porquê daquele destempero. Com isso, covardemente descontamos nossa raiva em quem não tem nada a ver com ela.

Daí a necessidade de evitarmos engolir as palavras e os sentimentos, de nos colocarmos, de expressarmos o que sentimos, o que deixamos de sentir, o que nos faz bem ou não. É preciso dizer o que deve ser dito a quem deve de fato ouvir. Caso se quebre essa ordem, iremos nos comportar como não deveríamos com as pessoas erradas.

É claro que temos que saber o momento adequado para dizermos as coisas, pois, se o outro não estiver disposto, tudo o que dissermos será em vão. Mas teremos de dizer, mesmo que esperemos, não importa, pois calar-se demais nunca será saudável para nenhum dos envolvidos. Ou agimos da maneira mais transparente possível, ou estaremos sempre machucando as pessoas erradas, no lugar e na hora errada. E ninguém merece ser alvo da agressividade de quem covardemente foge ao enfrentamento dos próprios problemas.

Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar". É colunista da CONTI outra desde outubro de 2015.

Recent Posts

Na estreia como diretor, Paul Mazursky travou no set de Bob, Carol, Ted e Alice por um motivo curioso

Em 1969, uma comédia sobre dois casais dispostos a questionar as regras do casamento chegou…

5 horas ago

Ela começou tocando violino no AGT, e Simon Cowell já estava com a mão no botão vermelho

Simon Cowell estava prestes a apertar o botão vermelho quando uma mudança na apresentação de…

5 horas ago

Há algo estranho na apresentação de Elvis em Viva Las Vegas, e não é a música que ele canta

Lançado em 1964, Viva Las Vegas reuniu Elvis Presley e Ann-Margret em uma comédia musical…

5 horas ago

Fotos antigas de grandes estrelas revelam detalhes curiosos de uma Hollywood que ficou para trás

Fotografias antigas de artistas famosos costumam revelar detalhes que dificilmente aparecem nas telas. Um sorriso…

6 horas ago

Pouco antes de morrer de câncer, ele ainda mantinha um hábito que já preocupava amigos havia anos

Patrick Swayze ficou marcado no cinema pela condição física exibida em filmes como Dirty Dancing,…

1 semana ago

DESAFIO: Você pode olhar várias vezes para esta imagem e ainda deixar alguns dos 7 gatos passarem

A ilustração parece mostrar apenas um jardim cheio de detalhes: uma árvore carregada de folhas,…

1 semana ago