Marcel Camargo

Não deposite sua felicidade naquilo que você pode perder

Não raro, acabamos sentindo como se a felicidade fosse algo longínquo, uma utopia, inalcançável e distante, uma vez que costumamos dar atenção demasiada aos momentos desagradáveis que enfrentamos, enquanto tratamos de nos esquecer rapidamente dos prazeres que pontuam nossos dias. Simplesmente porque a maioria de nós se esquece de prestar atenção em si mesma, ocupando-se com comparações entre o que se tem e o que se deseja sem possuir.

Embora seja lugar comum aquela velha ideia que nos aconselha a tentarmos procurar ser feliz, encontrando dentro de nós o que existe de bom, para que cultivemos a gratidão pelo que somos, por tudo e por todos que já fazem parte de nossas vidas, acabamos por nos desviar de nossas conquistas, lamentando tudo aquilo que não está ao nosso alcance. E, assim, fugimos ao contentamento pessoal, em meio a queixas e angústias, sentindo-nos menos afortunados, menos vencedores, menos felizes.

Da mesma forma, muitas vezes depositamos a fonte de nossa alegria naquilo que se encontra fora de nós, como se nossa felicidade dependesse de tudo e de todos que estão bem longe, como se não fôssemos capazes nem merecedores de felicidade. Com isso, ser feliz passa a ser uma condição que independe de nós, mas sim do parceiro, das roupas, do carro, enfim, do que podemos comprar, de quem nos rodeia, do acaso, menos do que temos dentro de nós.

Infelizmente, quem só consegue ser feliz quando o outro lhe retorna afeto, quando consegue comprar a roupa da moda e o celular de última geração, quando tem sol com praia, dias sem problema algum ou amizade correspondida, tem pouquíssimas chances de sorrir com verdade. Porque a gente vai levar rasteira da vida, a gente vai se decepcionar com as pessoas, a gente vai ficar sem dinheiro, vai levar porrada, sim, não tem como fugir a isso.

Por essa razão, uma das piores coisas que faremos por nós mesmos será ficar esperando que o mundo à nossa volta nos retorne o que queremos para que possamos sorrir, como se fôssemos meros espectadores do que ocorre, como se nossa felicidade não estivesse em nossas próprias mãos. É preciso que sejamos responsáveis por nossas vidas, agindo para que possamos desfrutar dias de sol e de tempestade com coragem e equilíbrio, de mãos dadas com quem for capaz de nos roubar sorrisos sinceros, ou simplesmente acompanhados de nós mesmos, afinal, sempre seremos a nossa melhor companhia.

*O título deste artigo baseia-se em uma citação de C. S. Lewis

Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar". É colunista da CONTI outra desde outubro de 2015.

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