Tem gente que já nasce sonsa. Ou aprende a ser sonsa desde muito pequenininha. É aquela criança que fala assim “Professora. Pode comer lanche na aula?” ou “Professora. A prova é com consulta?”. Só para poder dedurar o amigo que não aguentou esperar o recreio para comer ou o outro que está tentado dar uma coladinha na prova.
Ahhh sim, gente dedo duro é de lascar também. Mas gente sonsa é ainda pior! O dedo duro autêntico se orgulha de ser dedo duro. Prefere ferrar os outros e ser odiado a assistir passivamente o sucesso ou a paz alheia.
O dedo duro é falso explicitamente. É aquela parte do texto grifada em neon, com aquelas canetinhas verde–limão. Você só atura o dedo duro se quiser, porque esse tipo realmente não faz questão da sua aprovação. Seu prazer reside em outro tipo de satisfação.
Agora… o sonso… Virgimaria! O sonso não mostra a cara, não assume o que faz e é capaz de acabar com a sua alegria, com um sorriso angelical estampado nos lábios.
Por isso, não vá achando que a sua inteligência é pouca, ou que a sua inocência beira a idiotice, caso você já tenha caído na lábia e desgraça de algum sonso, ou sonsa. Afinal de contas, se você ainda não passou por isso, vai passar… É uma questão de tempo.
E quanto mais esperto você for, mais sofisticada será a estratégia do sonso para te engabelar. Sim!!! Porque se tem uma coisa que faz parte do “modus operandi” dessa gente é a vaidade exacerbada. Gente inteligente é um desafio para gente sonsa. É assim, tipo um troféu, uma iguaria, a sobremesa mais cara do cardápio.
O sonso tem inveja de tudo. Até das dificuldades. E quer o que é seu, mesmo que não tenha nenhuma serventia para ele. Seu negócio é subtrair, enganar, prejudicar, minar relacionamentos. E ele não mede esforços para conseguir o que quer. Pode passar muitos anos se fazendo de seu melhor amigo, sem que você sequer desconfie de suas intenções.
E, não, não é uma patologia. É fraqueza de caráter mesmo. Às vezes tem jeito, às vezes não tem. Tem gente que nasce sonsa e morre sonsa, vai sacanear os colegas idosos no jogo de dominó até o fim de seus dias, exatamente como sacaneava os amiguinhos na hora de bater figurinha.
Morro de preguiça de gente sonsa, exatamente porque já aprendi a farejá-las a quilômetros. E compreendi que o único jeito de derrotá–las é se fingir de sonso por algum tempo. E isso cansa! Cansa mas compensa. Porque cair nas malhas da falsidade de uma pessoa sonsa não é raro, nem trabalhoso, mas pode ser fatal.
Imagem de capa meramente ilustrativa: cena da série Downtown Abbey
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