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Minissérie italiana quase invisível na Netflix tem só 6 episódios, mas deixa um impacto difícil de esquecer

Tem série que grita por atenção com reviravolta a cada dez minutos. Fidelidade (Fedeltà) vai na direção contrária: ela cutuca onde costuma doer — no que a gente chama de “confiança” quando, na prática, ela vive cheia de detalhes mal resolvidos, suposições e versões convenientes.

É um drama romântico italiano curtinho (seis episódios) que não depende de choque barato; o efeito vem de outra coisa: a sensação de estar vendo um relacionamento se reorganizar por dentro, quase sem ninguém perceber.

A história gira em torno de Carlo e Margherita, um casal em que o clima muda quando a fidelidade dele vira assunto — e, a partir daí, o que parecia sólido começa a ganhar rachaduras bem específicas.

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Carlo é professor e escritor tentando sustentar a própria imagem (para os outros e para si mesmo), enquanto Margherita carrega a frustração de ter colocado partes da vida “em espera” e tenta reencontrar desejo e direção.

A série coloca os dois em rota de colisão com escolhas que nem sempre parecem grandes por fora, mas crescem por dentro.

Um ponto forte aqui é que Fidelidade não transforma o tema em tribunal moral. A série é mais interessada em mostrar o “como” do que o “quem está certo”: como um mal-entendido vira narrativa, como uma conversa pela metade vira certeza, como o ciúme se disfarça de racionalidade.

É um texto que entende que traição, às vezes, começa muito antes de qualquer ato concreto — começa quando cada um passa a viver num idioma próprio, sem traduzir mais nada para o outro.

E funciona também porque o elenco segura a tensão sem exagero. Michele Riondino e Lucrezia Guidone fazem um casal que parece real justamente por não ser “cinematográfico”: falam atravessado, evitam o que precisa ser dito, tentam consertar a situação com pequenas manobras.

A presença da Carolina Sala (Sofia) adiciona aquele desconforto de fronteira — o tipo de relação em que ninguém admite claramente o que está acontecendo, mas todo mundo sente que tem algo fora do lugar.

Visualmente, a minissérie usa bem o cenário para reforçar clima. As filmagens e a ambientação passam por Milão (e também Rimini, segundo materiais de divulgação e cobertura italiana), e a escolha conversa com o que a trama pede: uma cidade elegante, prática, acelerada — ótima para esconder crises atrás de rotina e compromissos.

Vale notar também que é uma adaptação de livro: baseada no romance “Fedeltà”, de Marco Missiroli, com direção de Andrea Molaioli e Stefano Cipani. Isso explica um pouco do ritmo: menos “novela de gancho”, mais cenas que deixam subtexto no ar e te obrigam a ler o que não foi dito.

A série estreou na Netflix em 14 de fevereiro de 2022, o que combina com a proposta irônica de discutir amor justamente quando todo mundo está vendendo romance perfeito.

No fim das contas, Fidelidade é daquelas minisséries para ver com calma (e, se possível, sem celular do lado), porque o impacto está nas microdecisões e nos detalhes: o que cada um escolhe esconder, o que cada um escolhe acreditar, e o preço de manter uma versão “apresentável” do próprio desejo.

Se você curte drama de relacionamento com tensão psicológica e diálogos que parecem simples, mas têm farpas, aqui tem material de sobra.

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Gabriel Pietro

Gabriel Pietro tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 12 mil textos assinados até aqui.

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