Meu amigo terapeuta: uma história para enternecer o coração.

Tenho um amigo a quem estou ensinando sobre o budismo. Ele é um terapeuta de excepcionais, super e infradotados. É um homem brilhante e de grande formação intelectual. Entrou na faculdade antes dos 17 anos e falar com ele é um privilégio. Esta semana ele não chegou muito bem.

Quando conversamos ele disse porque: havia morrido um paciente segurando sua mão. O rapaz que falecera passara seus 26 anos de vida deitado em uma cama, jamais havia podido falar. Sua cabeça era extremamente deformada, e ninguém pode entender sem experimentar o que é sentir-se um ser com aspecto de monstro e saber que não é nenhuma ilusão.

 Meu amigo foi seu terapeuta durante 16 anos.
Era a única pessoa que conseguia se comunicar com ele. O método era o seguinte: ele lhe dava a mão e com o outro braço o paciente apertava sua cabeça contra seu peito. Com variações de respiração, arfando ele tentava comunicar algo, meu amigo que é quase um bruxo de sensibilidade, ouvindo seu coração ansioso e sentindo o levantar e baixar de seu peito, tentava adivinhar o que ele queria comunicar. Falava com ele e com acenos afirmativos de cabeça sabia se havia interpretado corretamente seus sinais.
Pois esta semana o doente disse: eu vou morrer agora, meu amigo segurou mais forte sua mão e disse apegado: – Não vá! – Mas ele fez um aceno afirmativo com a cabeça, e aquele homem que jamais teria alguém que o desejasse, segurando a mão da única pessoa que havia conversado com ele em toda sua vida, lentamente, foi embora.

Meu amigo não estava muito bem.
Quando ouço histórias assim percebo como é fácil fazer uma bondade contida em um único ato, e sinto que não tenho a capacidade de bodisatva de meu amigo. Heroísmo é esta persistência de muitos anos fazendo um pequeno ato a  cada dia, 16 anos segurando a mão de um mudo e colocando a cabeça em seu peito, sabendo que o doente jamais se levantaria daquela cama . Não tenho tanta coragem. Meu amigo é muito melhor que eu. Como posso ensinar o Dharma a ele, se mestre é ele, e sou apenas um principiante?

Guenshô

(texto publicado na lista Chungtao no ano de 2000)

Fonte: Daissen

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