Por Patrícia Pinheiro

Se tem uma coisa que me paralisa e me deixa com um nó na garganta, é a frieza e a facilidade com que muitas pessoas se despedem de outras, com que eliminam alguém de suas vidas.

Sofrimento não é algo que possa ser medido e muito menos cobrado e até mesmo a indiferença é melhor do que qualquer falsa tristeza, mas, no término de relacionamentos, o mecanicismo, o “foi melhor assim” afirmado no ato e o partir para outra em questão de minutos, são algumas das razões pelas quais acreditar no amor se torna ainda mais difícil pra mim.

Dmitry Popov.

É claro que, na maioria das vezes, realmente foi melhor assim. Relacionamentos desgastantes e que geram infelicidade para qualquer um dos envolvidos, não apresentam, a meu ver, razões para existir. É necessário e saudável reconhecer quando algo chega ao fim.

Mas acredito que, dadas algumas exceções, se permitimos que uma pessoa fizesse parte da nossa vida, fosse parte de nós mesmos, é porque ela é, ou foi, de alguma forma, especial.

E como por tudo aquilo que é importante e deixa de ocupar, por qualquer motivo que seja, um papel central em nosso dia a dia, espera-se que haja um certo tempo de luto, de elaboração.

É o chorar pela solteirice das roupas íntimas e das escovas de dentes espalhadas pela casa.

É sentir o coração apertar ao lembrar do outro ao passar por aquela livraria que os dois costumavam frequentar juntos.

São as músicas, os cheiros que insistem em não abandonar as roupas, o nome do outro que surge inesperadamente em uma conversa e faz o estômago dar voltas.

Muitas pessoas entram em nossas vidas, algumas permanecem mais que outras, mas cada uma traz junto consigo o seu pacote, aumentando o nosso e o alterando de um jeitinho único.

É realmente mais fácil para aquele que passa por um rompimento sem se deixar abater, mas, para aqueles que choram, que vivem com chãos desabados até sentirem-se capazes de reerguê-los novamente, fica ao menos a certeza da coragem de ter deixado sua alma descansar totalmente em outra vida; da coragem de ter amado.

Patrícia Pinheiro

Patrícia Pinheiro tem 25 anos, é natural de Santa Maria - RS, morando em Florianópolis -SC. É formada em Psicologia e amante das palavras. Poeta e escritora, compartilha seu trabalho em suas redes sociais e é colunista do site Conti outra.

Recent Posts

Uma cena sensual virou um dos momentos mais famosos do clássico com Jamie Lee Curtis, e por um detalhe fora do esperado

Quando True Lies chegou aos cinemas, em 1994, James Cameron já tinha no currículo filmes…

2 dias ago

Diana chorou ao se despedir de Charles, mas só anos depois explicou o que tinha acontecido antes

Uma das imagens mais conhecidas do início do relacionamento entre Diana Spencer e o então…

2 dias ago

Após o parto, o silêncio na sala fez esta mãe perceber que algo estava diferente com a filha

Durante a gravidez, os exames de Eliza Bahneman não indicavam que sua filha nasceria com…

2 dias ago

Mesmo sabendo que a filha não sobreviveria, Emma levou a gravidez adiante: Hope viveu apenas 74 minutos mas salvou a vida de dezenas de bebês

Emma Lee recebeu ainda durante a gravidez uma notícia que mudou completamente a expectativa em…

3 dias ago

Banheiro limpo e mosquinhas aparecendo? A explicação está em uma parte de lá que você não enxerga

Elas são pequenas, ficam quase sempre paradas nas paredes e costumam aparecer perto da pia,…

3 dias ago

Um simples teste de elenco mudou o rumo desta comédia e ajudou a lançar uma futura estrela

Antes de Michael Keaton se transformar em Beetlejuice ou vestir o uniforme do Batman, ele…

3 dias ago