Uma publicação antiga de Kourtney Kardashian voltou a circular e colocou uma palavra pouco conhecida no centro das conversas sobre a socialite: autossexualidade. O detalhe que torna a história mais curiosa é que o conteúdo não traz uma declaração direta de Kourtney dizendo “sou autossexual”. Ainda assim, a maneira como o assunto foi apresentado em seu próprio site fez com que parte do público interpretasse o texto como uma possível revelação pessoal.
A discussão começou por causa de um artigo publicado originalmente em 2020 na Poosh, plataforma de estilo de vida criada por Kourtney. Com o título “Are You Low Key Autosexual?” (“Você é meio autossexual?”), o conteúdo aborda a atração e a excitação sexual direcionadas para si próprio e conta com explicações da terapeuta Casey Tanner, fundadora da QueerSexTherapy.
Logo nas primeiras linhas, o artigo faz uma afirmação que ajudou a provocar toda a repercussão: provavelmente quase todo mundo apresenta algum grau de autossexualidade. A ideia apresentada por Tanner é menos rígida do que a interpretação de que uma pessoa autossexual necessariamente prefere exclusivamente a si mesma.
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Segundo a terapeuta, a autossexualidade pode ser entendida como a capacidade de sentir excitação a partir da própria sensualidade. Isso pode acontecer ao observar o próprio corpo, fantasiar consigo mesmo, tocar-se ou perceber características pessoais que despertam desejo. A masturbação seria uma das manifestações mais evidentes, mas o conceito não se limita a ela.
O artigo também apresenta a autossexualidade como um espectro, e esse detalhe é importante. Uma pessoa pode sentir desejo por si mesma e, ao mesmo tempo, sentir atração sexual por parceiros. Portanto, o termo não significa automaticamente falta de interesse por outras pessoas nem exige que alguém escolha entre atração por si próprio e relacionamentos convencionais.
Algumas das situações mencionadas pela Poosh são bem mais cotidianas do que a palavra “autossexual” poderia sugerir à primeira vista.
Vestir uma lingerie porque a própria pessoa gosta de como se sente com ela, arrumar o cabelo e a maquiagem para apreciar a própria aparência, tomar banho prestando atenção às sensações do corpo ou dançar diante do espelho são apresentados como exemplos de comportamentos que podem envolver desejo direcionado a si mesmo.
O texto resume a ideia dizendo que sentir-se sexualmente atraente independentemente da presença ou aprovação de outra pessoa pode ser uma manifestação de autossexualidade.
Casey Tanner também procura afastar uma associação imediata entre esse comportamento e narcisismo. Segundo a especialista, sentir excitação em relação a si próprio não significa considerar-se superior aos outros, ser egoísta ou deixar de sentir atração pelo parceiro. Na abordagem apresentada pela Poosh, trata-se de mais uma forma pela qual o desejo sexual pode ser despertado.
Quando o conteúdo foi publicado, em dezembro de 2020, veículos como o The Independent já destacavam que o artigo havia sido compartilhado pela empresária em sua plataforma e que sua linguagem provocava questionamentos sobre a relação de Kourtney com o conceito.
Nos anos seguintes, a publicação continuou ressurgindo nas redes sociais e sendo interpretada por fãs como uma espécie de “coming out”. Em 2024, por exemplo, o assunto voltou a ganhar repercussão, justamente porque leitores passaram a tratar o texto como uma manifestação sobre a sexualidade da integrante da família Kardashian.
Há, porém, outro detalhe: a versão atual da página da Poosh identifica Kourtney Kardashian Barker na página do artigo, enquanto reportagens feitas na época da publicação registraram que o texto aparecia simplesmente sob a assinatura editorial “Poosh”. Isso ajuda a explicar por que diferentes versões da história passaram a circular ao longo do tempo.
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