Thamilly Rozendo

A gente não ama todo dia do mesmo jeito

Imagem de capa: Kar Tr/shutterstock

Muito se engana quem acha que o amor segue o mesmo ritmo, a mesma teoria e os mesmos sentimentos todos os dias, como algo imutável. Tem dias em que o amor é aquele abraço que nos sufoca; em outros, o amor vira aperto de mão e a saudade cede lugar para o silêncio.

Tem dias em que o amor é jantar a dois com direito àquela música que faz o coração da gente disparar, mas tem dias em que o amor vira pão com mortadela, sem direito a uma tubaína para acompanhar. Há dias em que o amor é 24 horas; em outros, nem 5 minutos. Às vezes, o amor tem cara de “quero passar o resto da minha vida com você”, mas há dias em que o amor vira um “me dá um tempo”.

É assim mesmo, a gente não ama todo dia da mesma forma; tem dias em que o amor é furacão; outros, tempestade, que logo vira calmaria e nos abrigamos no abraço do outro. O amor também é cara feia, assim como é sorrisos de criança que acabou de ganhar um brinquedo. O amor é bonito, mas tem dias em que é feio, daqueles que a gente não quer nem olhar, não quer nem sentir.

Tem dias em que o amor é aquela nossa música preferida, que a gente não cansa de dar replay; em outros, ele vira aquela melodia que enjoamos de tanto ouvir. O amor é brigadeiro, mas também é chá de boldo; às vezes é doce demais, às vezes é amargo.

Há dias em que o amor é aquele sofá em que deitamos no final de um dia cansado. Há dias em que o amor vira aquela cadeira do escritório em que não aguentamos mais ficar. Machuca as costas, dói o pé e precisamos de um descanso.

E, quando entendemos que o amor não é a mesma coisa todo dia, entendemos que amar vai muito além de apenas sentir amor. É preciso saber perdoar quem nos machuca no final de um dia cansado, é preciso saber que não querer conversar hoje não significa desamor.

O amor é bonito, é leve, mas há dias em que o amor vira tempestade e a única coisa que importa é se abrigar nos braços um do outro no final de tudo. Amor também é renúncia, é saber que, naquele momento, querer despejar palavras duras não irá ajudar em nada e que o silêncio, talvez, seja a sua melhor resposta. E, mesmo não amando todo dia do mesmo jeito, a gente sabe: a gente ama cada vez mais.
*Texto inspirado em trecho de autoria de Fernanda Mello, sobre o amor.

Thamilly Rozendo

Estudante de psicologia, apaixonada por artes, música e poesia. Não dispensa um sorvete e adora um pastel de feira com muito requeijão, mesmo sendo intolerante a lactose. Tem pavor de borboletas, principalmente as no estômago.

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