Há 51 anos, na primeira versão de Meu Pedacinho de Chão (1971), Patrícia Aires, aos oito anos de idade, ganhou destaque como a personagem Pituquinha, mas a experiência não foi agradável para a atriz mirim, que sentia medo do ator Castro Gonzaga (1918-2007), que interpretava seu pai na trama.
“Chorei muito na época porque o ator que fazia o Epaminondas tinha a voz muito grossa. As mãos dele eram grandes, e ele ameaçava me bater. Morria de medo e chorava de verdade, mesmo depois que a cena acabava. Todos me agradavam demais, mas eu ficava muito assustada!”, contou Patrícia em entrevista ao UOL em 2014.
“Naquele tempo não tinha muita criança na TV, aí eu apareci loirinha, fofa e foram vários convites. Mas eu tinha medo de tudo. Me assustei várias vezes durante as cenas”, afirmou ela à coluna de Patrícia Kogut, do jornal O Globo.
Após a conclusão da novela, a atriz mirim ficou traumatizada e decidiu deixar a carreira artística para trás. Desde então, ela nunca mais retornou aos holofotes e escolheu seguir outros caminhos. Formou-se como chef de cozinha e se dedicou ao estudo e prática da nutrição funcional.
Meu Pedacinho de Chão, escrita por Benedito Ruy Barbosa, foi uma coprodução entre a Globo do Rio de Janeiro e a TV Cultura de São Paulo. O folhetim, que foi o primeiro a ocupar a faixa das 18h da Globo era exibido pelas duas emissoras simultaneamente.
Segundo Benedito Ruy Barbosa, o objetivo da novela era educar o morador do campo: “A proposta foi mostrar o problema do homem do campo, ensiná-lo sobre as doenças, levá-lo para uma sala de aula, dar-lhe melhores condições de higiene e, ao mesmo tempo, mostrar o interesse das classes patronais pelo camponês analfabeto, sem questionar nunca sua miséria e seus problemas”.
“Como esse foi o período de desenvolvimento do Mobral (Movimento Brasileiro de Alfabetização), eu tentei ajudar esse projeto de ensino no qual, na época, eu acreditava”, completou o escritor.
Um remake de Meu Pedacinho de Chão foi ao ar na Globo em 2014. O autor usou a segunda versão da história para dizer tudo aquilo que havia sido censurado em 1971.
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Redação Conti Outra, com informações do Notícias do Brasil.
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