“Eu te amo” é um jeito bonito de dizer: o mundo é melhor porque você existe.

Tem gente que deixa a vida melhor, ué! Gente que faz a luta valer a pena, justifica as aporrinhações, os desencontros, compensa descaminhos e aborrecimentos. Gente que só de existir já devia ganhar o Nobel da Paz.

Difícil reconhecer, nestes tempos em que falar de sentimento virou sinal de fragilidade, mas o mundo só não afundou de vez porque ainda resistem por aí mais criaturas boas do que canalhas. E de quando em vez elas merecem, ahh… elas bem merecem ouvir um “eu te amo” de jeito, assim, verdadeiro e indefensável!

Em todo canto elas conspiram, articulam, fazem das suas em silêncio. Na intimidade de suas vidas, dão seu jeito de melhorar o dia de quem estiver perto.

Gente que torna o mundo mais bonito não tem medo, não tem pudores nem tem hora. Opera seu ofício na quietude de uma manhã qualquer, depois do café. Muda o dia durante o almoço de uma terça-feira sem graça ou numa noite igual a todas as outras noites, voltando para casa depois do trabalho. Transforma o tempo de repente, à tardinha, quando o sol amansa e um vento tranquilo faz carinho no cabelo das moças, ou de madrugada, depois que um sonho carinhoso nos desperta e o silêncio grita até acordar as saudades que dormem dentro da gente.

Tem gente que merece ouvir “eu te amo” a toda hora. Só pra lembrar. Não sem mais, não da boca para fora, mas da alma para dentro. De verdade, o sentimento ali, transpirando alegria e nobreza. Dizer “eu te amo” é um jeito bonito de assumir: você me faz gostar mais da vida, a minha, a sua e a de todo mundo.

Porque o mundo anda carecido de gente que faz de um tudo para torná-lo melhor. Gente que nos acostuma bem. Que nos faz sentir amor de algum jeito. Que nos lembra do que importa mesmo e nos faz perguntar no espelho: afinal, pra que serve a vida senão para isso, gostar de alguém e ser gostado também?

Elas estão por aí. É tarefa nossa identificá-las e jogar-lhes na cara um bom e gostoso “eu te amo” em nome do mundo, que agradece por ainda existir gente assim. Ao trabalho, então.

André J. Gomes

Jornalista de formação, publicitário de ofício, professor por desafio e escritor por amor à causa.

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