Eros significa desejo incoercível dos sentidos. É o Deus do Amor, o mais belo entre os deuses. É um Deus de natureza mutável, que tira os sentidos e o juízo tanto dos mortais quanto dos imortais. É uma força agregadora, poderosa e assustadora.
Na antiga Teogonia de Hesíodo, o nascimento do Universo é descrito da seguinte forma: No princípio era o Caos (vazio primordial, vale profundo, espaço incomensurável), matéria eterna, informe, rudimentar, mas dotada de energia prolífica; depois veio Géia (Terra), Tártaro (habitação profunda) e Eros (Amor), a força do desejo. O Caos deu origem a Érebo (escuridão profunda) e a Nix (Noite). Nix gerou Éter e Hemera (Dia). De Géia nasceram Urano (Céu), Montes e Pontos (Mar) (BRANDÃO, 1986).
Nessa descrição da formação do Universo podemos observar que Eros é uma força primordial, ainda da era Matriarcal. É uma força fundamental do mundo. Com o advento do patriarcado Eros, como potencia sexual desenfreada se submeteu ao Logos, a ordem, a lei e a razão.
Platão, em O Banquete, descreve Eros como um demônio. Com isso ele quer dizer, que Eros é um intermediário entre os deuses e os homens e, como o deus do Amor está a meia distância entre as pessoas.Ele preenche o vazio, tornando-se, assim, o elo que une o Todo a si mesmo.
Eros é a energia do Amor, é uma força propulsora que move o mundo, mas que nunca se satisfaz. Sempre inquieto busca a satisfação de sua carência na plenitude. Mas a origem de Eros foi se alterando conforme relata Brandão (1986).
“Umas afirmam ser o deus do Amor filho de Hermes e Ártemis ctônia ou de Hermes e Afrodite urânia, a Afrodite dos amores etéreos; outras dão-lhe como pais Ares e Afrodite, enquanto filha de Zeus e Dione e, nesse caso, Eros se chamaria Ânteros, quer dizer, o Amor Contrário ou Recíproco.
As duas genealogias, porém, que mais se impuseram, fazem de Eros ora filho de Afrodite Pandêmia, isto é, da Afrodite vulgar, da Afrodite dos desejos incontroláveis, e de Hermes, ora filho de Ártemis, enquanto filha de Zeus e Perséfone, e de Hermes. Este último Eros, que era alado, foi o preferido dos poetas e escultores.”
Eros geralmente é retratado como um menino loiro, alado que nunca cresce. Essa persona inocente e travessa mostra que o amor é incompatível com a razão, por isso ele é considerado um Deus perigoso para nossa cultura centrada no Logos.Uma vez que o amor faz com que percamos o controle e forças desconhecidas passem a agir em nossa psique. E a ultima coisa que o ego quer é perder o controle.
Além disso, o fato de Eros ser criança mostra que o amor é irresponsável, que se diverte com os seres. Mas Eros é visto dessa forma somente em culturas com um ego centrado no Logos, pois tudo o que é desconhecido, intangível e incontrolável, lhe causa angustia. A razão precisa de explicações sempre e o amor não se explica.
O mito Eros e Psique narra uma das formas onde o amor pode amadurecer. O mito narra a estória de Psique (a Alma) e de sua saga para reaver o Amor (Eros), seu marido. No começo Eros era infantilizado, Psique não podia ver seu rosto. Ou seja, o amor tinha que ser cego.
Mas quando Psique empreende uma jornada iniciática em busca desse amor ela amadurece e conseqüentemente, Eros também, se libertando do aspecto infantilizado do amor e transcendendo a mera paixão sexual.
O interessante nesse mito é que o Amor amadurecido somente vem a nós quando o perdemos. Perder um grande amor faz com que nos voltemos para nosso interior em busca de compreensão. A dor e o sofrimento pela perda do amor são grandes impulsionadores do processo de individuação.
Pois o perder-se alguém no amor é uma espécie de morte, a morte de uma existência puramente centrada no ego. Assinala uma fase nova na nossa evolução para um centro transcendente (NICHOLS, 2007).
Eros subverte velhos padrões de lei e ordem. Mentes muito focadas na razão são pegas de surpresa por ele. Pois somente o amor consegue abrir caminho para a chegada de uma nova vida. Ele une opostos e ativa a libido que impele a ação. Os apaixonados estão propensos a um ato heróico, uma ação na busca da completude encontrada no encontro com o outro.
O ego sempre busca a divisão, a separação. Dividimos-nos em classes sociais, sexo, cor, idade, profissão, etc. O Amor busca a união dos diferentes, busca um centro unificador não mais com a inconsciência do Caos primitivo de onde ele provém, mas uma união com consciência.
Ao nos entregarmos ao Amor, encontramos nossa parte reprimida e inconsciente no outro.
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