Enquanto brigamos, o tempo passa

Enquanto brigamos, o tempo passa. O tempo que não espera, não volta, não nos compensa.

E enquanto insistimos em gastar o tempo, brigamos, arrumamos pretextos para discordar, lutar para sermos proprietários de todas as verdades, todas as razões, todas as coisas que não conseguimos sequer carregar, nas mãos nem na consciência.

E a morte nos aguarda. Nos espera no final do tempo, aquele tempo que tínhamos de sobra, mas preferimos gastar com brigas, fofocas e desunião.

Essa é uma realidade incontestável. O tempo passa e nos entrega a morte.

Não só as brigas consomem o tempo, é verdade. Mas, de todas as opções por vontade próprias, esta é uma forte candidata ao lugar de mais tola.

Não falo de discussões e lutas por direitos. Isso é outra coisa. E muita gente boa já utilizou seu tempo para que nós, briguentos, desfrutássemos das conquistas.

Falo de brigas por poder, vantagens, territórios, espaços, razões, tudo o que nos coloca em posição de destaque, ainda que pelo lado mais desprezível.

O ditado afirma: – Dou um boi para entrar numa briga, mas dou uma boiada para não sair. – fala muito de nós, briguentos. Vamos às últimas consequências para levar para casa o troféu, ou os chifres, não sei. E, nisso, o tempo passou. Juntamos mais alguns desafetos para a conta. E menos algum tempo para a vida.

E a morte nos aguarda. Não importa de que forma levamos a vida. Ainda assim, ela vai nos levar. E ainda assim, escolhemos desperdiçar o tempo, brigando.

Batemos no peito orgulhosos e dizemos: – Sou pavio curto! E morremos, independente do tamanho do pavio. Aliás, independente de qualquer tamanho que possa se comparar.

Meu palpite: Correr das brigas. Correr para valer. Só ficar, se for por justiça. Só brigar, se for pela vida. Qualquer vida.

A morte que nos aguarde, como é a sua tarefa. E o tempo, que passe com prazer, assistindo o melhor que vamos fazer de nossas vidas.

Imagem de capa:  David M G/shutterstock

Emilia Freire

Administradora, dona de casa e da própria vida, gateira, escreve com muito prazer e pretende somente se (des)cobrir com palavras. As ditas, as escritas, as cantadas e até as caladas.

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