Um vídeo aqui, um “antes e depois” ali, e pronto: as chamadas “prisões para obesos” voltaram a circular com força nas redes.
O nome é pesado, mas a proposta é direta — centros de emagrecimento que funcionam como bootcamps, com rotina cronometrada, regras duras e pouca margem para improviso.
Na China, onde o sobrepeso disparou nas últimas décadas, esse tipo de serviço virou negócio (e, em alguns casos, política pública) em ritmo acelerado.
A explosão do problema ajuda a explicar por que essas instalações ganharam espaço.
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Segundo números citados pelo New York Post a partir de dados oficiais, a obesidade infantil na China quadruplicou desde o ano 2000 e mais da metade dos adultos já está acima do peso.
Com uma população enorme, o país passou a concentrar o maior contingente global de pessoas com sobrepeso ou obesidade — e isso abriu caminho para soluções rápidas, nem sempre suaves.
Nesse cenário, cresceu um mercado de “campos de emagrecimento” privados e também iniciativas com apoio governamental.
O levantamento citado aponta que já existem mais de mil centros desse tipo, muitos montados em estruturas reaproveitadas, como antigas escolas e dormitórios.
A promessa costuma ser a mesma: perder peso em poucas semanas, com acompanhamento constante e rotina fechada.
Dentro dos centros, o clima é de disciplina total. Em vez de academia com plano flexível, o que aparece nos relatos são áreas cercadas, portões de aço, segurança e monitoramento o tempo todo — o tipo de ambiente que, na prática, dificulta desistir no meio do caminho, mesmo com a inscrição sendo voluntária.
Alguns programas duram duas semanas, mas há treinadores que “batem na tecla” de 28 dias, dizendo que esse período rende resultados mais consistentes.
Um detalhe que chamou atenção é que parte desses locais aceita estrangeiros e não exige domínio de mandarim ou cantonês, porque a dinâmica é toda guiada por horários, comandos simples e repetição.
Ou seja: a barreira de idioma pesa menos do que a resistência física e a adaptação ao ritmo imposto.
Um dos poucos relatos detalhados que viralizaram veio de uma australiana conhecida como Egg Eats, que publicou a experiência para cerca de 50 mil seguidores no Instagram.
Ela descreveu manhãs começando às 7h30, pesagem diária e uma sequência pesada de treinos — incluindo spinning, boxe e HIIT — com pouco tempo ocioso ao longo do dia. Nos números que ela divulgou, foram 2,25 kg a menos na primeira semana e 4 kg ao completar 14 dias.
O pacote, segundo a própria influenciadora, custou US$ 1.500 e incluía quatro horas de exercícios por dia, somando 19 aulas por semana. A comida seguia um padrão de refeições “comuns” do dia a dia chinês, mas com porções controladas.
Beliscos eram vetados, e havia inspeções nos dormitórios: se alguém escondesse comida, os itens eram recolhidos. Não é só “fazer dieta”; é viver num sistema montado para reduzir escolhas ao mínimo.
Mesmo relatando cansaço e restrição, Egg Eats disse que não se arrependeu — e esse tipo de depoimento alimenta o apelo do método nas redes.
Só que a popularização também traz a conta do outro lado: quando o objetivo é acelerar o máximo possível, o risco de exagero vira parte do debate.
Em 2023, a morte da influenciadora chinesa Cuihua, de 21 anos, reacendeu a polêmica. Ela teria participado de campos de emagrecimento no norte do país, pesava 156 kg, perdeu mais de 27 kg em dois meses e documentava a rotina no Douyin (plataforma semelhante ao TikTok).
O caso levantou dúvidas sobre limites, supervisão e segurança em programas que empurram o corpo para uma mudança rápida.
Especialistas têm defendido regras mais claras e fiscalização. O professor associado Pan Wang, da Universidade de Nova Gales do Sul, afirmou (em declaração repercutida pelo NY Post) que o governo deveria acompanhar dietas e exercícios que possam ser perigosos.
Ele também chama atenção para o incentivo social por magreza e para como empresas do setor lucram com isso, transformando o emagrecimento em produto com “meta agressiva” e marketing forte.
As causas do aumento do sobrepeso no país são atribuídas a mudanças de renda e consumo, maior presença de alimentos muito calóricos (incluindo frituras) e rotinas mais sedentárias e estressantes.
Em 2024, o governo chinês lançou uma campanha de três anos contra a obesidade, com metas como reduzir gordura, açúcar e sal em cantinas escolares, estimular atividade física no ambiente de trabalho e estabelecer, no ensino fundamental, pelo menos duas horas diárias de exercícios.
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