Celebridades

Ele foi ídolo adolescente, mas morreu sem dinheiro após declarar falência e vender até os próprios dentes para sobreviver

Durante boa parte dos anos 1980, Corey Haim foi tratado como um daqueles nomes que pareciam destinados a atravessar décadas em alta em Hollywood.

Bonito, carismático e dono de uma presença forte em cena, ele virou febre entre o público jovem, estampou capas de revistas e passou a ser visto como um dos grandes rostos da nova geração do cinema americano.

O que pouca gente enxergava, porém, era o tamanho do abalo que aquele sucesso acelerado causava fora das câmeras.

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Nascido em Toronto, no Canadá, em 23 de dezembro de 1971, Corey era um garoto reservado. Segundo relatos de pessoas próximas, a entrada na atuação aconteceu como uma tentativa dos pais de ajudá-lo a vencer a timidez.

A experiência, que começou quase como um estímulo pessoal, logo se transformou em profissão. Ainda criança, ele já participava de comerciais e chamava atenção pela naturalidade diante das câmeras.

Os primeiros trabalhos de maior alcance vieram cedo. Haim apareceu na série The Edison Twins e, ainda nessa fase inicial, viveu um momento difícil dentro de casa: a separação dos pais.

O episódio o afetou bastante e costuma ser citado como uma das marcas emocionais daquele período em que sua vida pessoal mudava ao mesmo tempo em que sua carreira decolava.

Em 1984, o ator começou a ser levado ainda mais a sério pela crítica ao atuar em Firstborn. Sua interpretação no longa foi elogiada por Roger Ebert, um dos críticos mais influentes dos Estados Unidos, que destacou a força dramática do jovem artista.

Para muita gente da indústria, aquele comentário serviu como chancela de que Corey Haim poderia ir muito além do rótulo de astro adolescente.

A explosão de popularidade aconteceu de vez em 1987, quando ele estrelou The Lost Boys ao lado de Corey Feldman. O filme virou referência pop da década, e a dupla ganhou status de fenômeno entre adolescentes.

Haim passou a receber uma quantidade absurda de cartas de fãs, era presença constante em programas de TV e passou a viver o tipo de exposição que, para um garoto tão novo, cobrava um preço alto.

Com a rotina cada vez mais dominada pelo trabalho, a vida fora dos sets foi ficando desorganizada. Corey abandonou os estudos tradicionais depois do oitavo ano e passou a circular em ambientes cercados por fama, excesso e pouca supervisão real.

Aos poucos, surgiram fragilidades que se agravariam com o tempo, especialmente o envolvimento com drogas, uma luta que se estenderia por muitos anos e abalaria sua saúde, sua estabilidade emocional e sua imagem profissional.

Esse desgaste começou a aparecer também na carreira. Os papéis ficaram mais raros, os contratos perderam força e a situação financeira piorou bastante.

Em meio a dívidas e dificuldades, vieram relatos de que ele chegou a vender os próprios dentes e até o cabelo para conseguir dinheiro para comer.

No fim dos anos 1990, declarou falência. Para quem havia sido tratado como promessa de ouro poucos anos antes, o contraste era duro.

Mesmo assim, Corey Haim ainda tentou reagir. Procurou retomar contato com profissionais do meio, manifestou vontade de voltar a atuar e buscou recuperar espaço em Hollywood.

Só que, nessa altura, sua trajetória já estava fortemente associada aos escândalos, ao vício e à instabilidade. A indústria, que antes lucrava com sua imagem, já não parecia interessada em lhe oferecer uma nova chance com a mesma disposição.

A fase final de sua vida foi marcada por sofrimento físico e emocional. Em 10 de março de 2010, Corey Haim morreu aos 38 anos, após complicações ligadas a uma pneumonia, com aumento do coração e estreitamento dos vasos sanguíneos, segundo informações divulgadas na época.

As horas derradeiras foram descritas como muito dolorosas. Sua morte provocou forte comoção entre fãs e colegas, principalmente entre aqueles que acompanharam de perto a rapidez com que um ídolo juvenil foi sendo consumido por problemas que se arrastaram por décadas.

Depois de sua morte, o nome de Corey voltou a ocupar espaço no debate público por causa de declarações e acusações sobre abusos sofridos por ele na infância dentro da indústria do entretenimento.

O tema gerou controvérsia, versões conflitantes e discussões que seguem até hoje. No fim, sua história acabou ficando marcada por duas imagens opostas: a do galã que dominou o cinema jovem dos anos 1980 e a do homem que terminou a vida em profunda vulnerabilidade.

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Gabriel Pietro

Gabriel Pietro tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 12 mil textos assinados até aqui.

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