Elisângela Siqueira

E quando a “lei do retorno” falha?

E perto dos seus 40 anos você fez tudo o quê “deveria” ser feito. Constituiu uma carreira sólida com muito estudo, dedicação e afinco. Encontrou o amor da sua vida, construiu uma linda família, guardou um pouquinho de dinheiro, cultivou as velhas amizades e fez novos amigos, ajudou instituições filantrópicas, adotou cachorros e gatos das ruas.

Sim, você fez tudo como manda “o figurino”. Semeou o bem, o amor e cuidou dos seus próximos, mas, de repente, não mais do de repente, vem a vida e mostra que tudo pode ruir em questão horas, minutos ou segundos e você perde o chão, o norte e o rumo que vinha seguindo há algum tempo. A crença de que você estava seguro pelo universo por semear o bom e realizar o bem, despenca de uma hora para outra.

A vida está longe de ser uma ciência exata, um cálculo matemático que se soma, subtrai e divide-se e lá está a resposta exata do problema. Viver requer mais de nós, não há respostas prontas. Antes de escolher um caminho ou tomar uma decisão não sabemos o resultado dessa questão.

A vida requer mais de nós do que sermos bons e seguirmos o manual do politicamente correto. Viver muitas vezes foge ao controle, do programado e do esperado e sim, a lei do “retorno’’ falha, mas e daí?

Podemos estar vivos, mas cheios de frustrações. O dinheiro não atravessa o mês como deveria. O emprego finda. Os amigos se ausentam. O amor esperado não corresponde, familiares partem e a saúde pode faltar.

Viver é uma aventura todos os dias.
A plenitude que tanto buscamos durante a vida reside em momentos, num sorriso, num abraço, num desejo realizado.

Essa viagem chamada vida pode ter um brilho diferente se conseguirmos tocar as outras almas que nos acompanham nesta aventura, seja com palavras ou ações, pois precisamos de companheiros nessa difícil jornada para dividirmos experiências, dores e alegrias.

Possivelmente a lei “do retorno” falhe muitas e muitas vezes, mas podemos ir nos ajustando à vida e funcionando conforme as exigências desta, pois estamos só de passagem.

Desejo a todos que aqui estão, uma vida! A vida do jeito que ela é, cheia de desafios, de incertezas e de imprevistos.

A “lei do retorno” falha, mas que nunca deixemos de acreditar em nós mesmos, no amigo que está ao lado, na providência divina, num amanhã melhor, pois estamos só de passagem. Façamos o melhor que pudermos para que essa experiência que se chama vida não passe em branco, em bege ou em preto: a vida pede cores, criatividade e renovação constante.

Elisangela Siqueira

Psicóloga com especialização em Psiquiatria e Psicologia da Infância e da Adolescência e em Psicoterapia Psicanalítica Breve. Mais de 10 anos de experiência. Atendimentos presenciais e online.

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