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É preciso coragem para não optar pela covardia!

Uma luta entre a virtude e a vantagem.

Passa assim despercebido, quase imperceptível pela maioria de nós, mas é fato que temos incontáveis maneiras e oportunidades de optar por gestos covardes, todos os dias, com muita gente. A covardia de quem tira vantagem de uma insegurança, uma incerteza, um descompasso, qualquer brecha a ser aproveitada. E é preciso muita coragem para declinar. E algumas vezes nem tempo dá, de tão viciados que já estamos em praticar covardias, ou, provocá-las, para instigar alguma culpa.

Não somos espontâneos o tempo todo, e de fato maquinamos muitas situações, diálogos, brigas e discussões que ainda nem aconteceram, mas nos agrada a prevenção. E nessa preparação, é inevitável pensar nas fraquezas alheias, no que mais pode tocar e atingir o nosso alvo. Muito tempo se gasta com planos e estratégias. Muita força se usa, muita criatividade e malícia para praticar um ato covarde, que explora a fundo qualquer fraqueza exposta e a balança para o  mundo, como uma bandeira de vitória.

O jogo da vida é complexo e as regras, loucas. Contudo, é essencial buscar um código de ética que nos abrigue e nos oriente por caminhos mais honestos e transparentes. Para o nosso próprio bem. Para não desintegrarmos.

E se a covardia é no mínimo uma decisão obscura, no momento dessa decisão é que a coragem precisa ser evocada.

Coragem para não humilhar alguém em posição inferior, e, ao contrário, colocar-se em seu lugar; coragem para não trair confidências e segredos confiados, mesmo que as vantagens sejam tentadoras; coragem para defender injustiçados, para pedir desculpas e desculpar; coragem para se responsabilizar por decisões, opiniões, julgamentos, manipulações e apelos.

Coragem para pensar com coragem e não com covardia.

Não tramar. Não esconder. Não tirar vantagem. Não trapacear.

É fácil? Não, é uma escolha duríssima! Uma luta pesada!

Contudo, e por todos os exemplos que já passaram pela humanidade, ainda está valendo buscar aquela coragem enferrujada e esquecida, utópica, esperançosa, ética e libertadora.

Sem dúvida alguma, se houver qualquer arrependimento, ele não virá de braços dados com a culpa. E essa liberdade, essa só se apresenta com muita coragem!

Imagem de capa: Cena do filme “A árvore da vida”

Emilia Freire

Administradora, dona de casa e da própria vida, gateira, escreve com muito prazer e pretende somente se (des)cobrir com palavras. As ditas, as escritas, as cantadas e até as caladas.

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