Marcel Camargo

É muito triste ter saudade de quem a pessoa era antes

O tempo passa e as coisas mudam. Mudam as paisagens, os desejos, os lugares, as roupas, o corpo, muda lá fora e muda dentro da gente. Nós nos transformamos junto com os dias, aprendendo com as experiências, com o que dá certo e com o que dá muito errado. Infelizmente, nem todo mundo melhora com o tempo.

A lógica da vida deveria ser as pessoas se tornarem melhores enquanto vão caminhando, pois a vida a gente aprende vivendo, vivenciando e refletindo sobre o que ocorre. O normal, nesse sentido, seria cada um de nós reconhecer os erros, entender a responsabilidade sobre o que acontece conosco, para que evitemos repetir o que faz mal, aos outros e a nós mesmos.

A lógica seria cada um de nós se afastar do egoísmo, da imaturidade emocional, conseguindo entender a nossa responsabilidade emocional com quem nos ama e nossa influência nas vidas alheias. O normal seria a gente se tornar mais humano, mais solidário, mais empático, mais gente de verdade, gente grande.

Mas a vida pode ser cruel demais, as experiências podem ser traumáticas, a escuridão pode ser avassaladora, a ponto de retirar qualquer traço de esperança do coração de algumas pessoas. Elas então podem não conseguir mais ser as mesmas de antes, nem sorrir como antes, tampouco ser agradáveis como antes. Algumas pessoas se fecham em si mesmas, quando acuadas, de um modo impenetrável, e dali nunca mais saem.

Outras vezes, algumas pessoas mudam conosco porque alcançam uma etapa de vida na qual não conseguem nos encaixar. Elas podem, por exemplo, enriquecer, obter fama ou um emprego altamente rentável, e se esquecerem de quem sempre esteve ao lado delas. Certas pessoas ficam deslumbradas e valorizam somente o que lhes traz conforto material. E daí a gente passa a não mais caber na vida delas.

É a vida, ela pede movimento, ela ensina e cada um que se vire para aprender as lições, ou não. Nem todo mundo se movimenta para a direção nossa e daí a gente não os reconhece mais, nem nos reconhecemos mais perto deles. Embora seja muito triste termos saudades de quem algumas pessoas eram, teremos que lidar com isso. Vida que segue. Mantendo nossa essência, haja o que houver.

***
Texto publicado originalmente em Prof Marcel Camargo

Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar". É colunista da CONTI outra desde outubro de 2015.

Recent Posts

Pouco antes de morrer de câncer, ele ainda mantinha um hábito que já preocupava amigos havia anos

Patrick Swayze ficou marcado no cinema pela condição física exibida em filmes como Dirty Dancing,…

5 dias ago

DESAFIO: Você pode olhar várias vezes para esta imagem e ainda deixar alguns dos 7 gatos passarem

A ilustração parece mostrar apenas um jardim cheio de detalhes: uma árvore carregada de folhas,…

5 dias ago

Uma desconhecida apareceu no cemitério com um envelope e mudou o que ela sabia sobre a filha

Durante dez anos, Elizabeth criou o neto sem saber explicar uma das perguntas que ele…

5 dias ago

Desafio visual: O guarda-chuva não está onde você provavelmente procuraria nesta livraria cheia de detalhes

A ilustração de uma antiga livraria parece comum nos primeiros segundos. Livros ocupam quase todos…

5 dias ago

Mary Ann Bevan aceitou ser exibida em público, e o motivo tinha relação direta com seus quatro filhos

Durante boa parte do fim do século XIX e do início do século XX, pessoas…

1 semana ago

Algumas das fotos mais interessantes de Diana não são as mais famosas e contam outra parte da história

Poucas figuras públicas foram fotografadas com tanta frequência quanto a princesa Diana, né? Durante os…

1 semana ago