Que tarefa mais difícil, a de acreditar que uma dor passará, justo naquele momento em que ela vem com tudo, e leva tudo o que poderia servir de consolo e esperança.
Qualquer dor, desde que doa, se apresenta como se viesse para ficar, para jamais nos deixar. Talvez, uma das sensações mais reais que possamos sentir. A dor nos despedaça. E, juntar os pedaços, nos parece sempre um ato impossível. A dor nos rouba as forças, o colorido, a porta para o futuro.
No tempo de dor, só o que alivia são os pequenos momentos de consolo, solidariedade, empatia. E como fazem diferença! Ainda que não afastem a dor, negociam uma trégua, nos arrancam alguns sorrisos e poucas esperanças.
Dor de perda, dor de remorso, dor de desamor, dor de corpo e de alma. Dores que irradiam e são capazes de nos transformar em algo que nunca fomos. Até essas passam. Embora não pareça, elas passam.
A dor só dura o tempo que a ferida tem para curar. O mais importante é deixar curar. Se a gente fica arrancando a casquinha, ela volta, muitas vezes, pior. E arrancar as casquinhas das dores é quase uma especialidade nossa. É querer a cura mas não deixar cicatrizar. É mexer no que já foi tão traumatizado e magoado. Contaminar aquilo que o tempo, pacientemente, se encarrega de finalizar.
A gente se agarra até às dores, não quer deixar passar. E depois reclama da vida amarga que sempre teve. É preciso deixá-las. As dores entram na nossa vida para cumprir um papel temporário. Muitas vezes ensinam, educam, noutras, derrubam, pisoteiam. E sempre doem! Mas passam. Um dia, passam.
E quando uma dor está indo, nada de chamá-la de volta. Nenhuma nostalgia cabe na partida de uma dor. O melhor a fazer é nos despedir, certos de que não será a última dor da vida, mas que também passará.
Imagem de capa: shutterstock /kittirat roekburi
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