Manoel de Barros é um dos principais poetas contemporâneos do Brasil.
Fala da simplicidade e das “pequenezas” da vida.
Abaixo, confira um poema que demonstra sua sensibilidade e capacidade de “ver” o que os outros não vêem.
Difícil fotografar o silêncio
Difícil fotografar o silêncio.
Entretanto tentei. Eu conto:
Madrugada, a minha aldeia estava morta.
Não se via ou ouvia um barulho, ninguém passava entre as casas. Eu estava saindo de uma festa.
Eram quase quatro da manhã. Ia o silêncio pela rua carregando um bêbado. Preparei minha máquina.
O silêncio era um carregador?
Estava carregando o bêbado.
Fotografei esse carregador.
Tive outras visões naquela madrugada.
Preparei minha máquina de novo.
Tinha um perfume de jasmim no beiral do sobrado.
Fotografei o perfume. Vi uma lesma pregada na existência mais do que na pedra.
Fotografei a existência dela.
Vi ainda um azul-perdão no olho de um mendigo. Fotografei o perdão.
Olhei uma paisagem velha a desabar sobre uma casa. Fotografei o sobre.
Foi difícil fotografar o sobre. Por fim eu enxerguei a nuvem de calça.
Representou pra mim que ela andava na aldeia de braços com Maiakoviski — seu criador.
Fotografei a nuvem de calça e o poeta. Ninguém outro poeta no mundo faria uma roupa mais justa para cobrir sua noiva.
A foto saiu legal.
Dica da Conti outra: Saiba mais sobre a obra do poeta e conheça os projetos sociais da Fundação Manoel de Barros.
Disseram a ele que mulheres eram “diabólicas” — anos depois, se tornou um dos maiores…
Você bate o olho e escolhe uma mulher — simples assim. Mas essa escolha pode…
Você acha que é só uma foto antiga de praia… mas tem um detalhe escondido…
Esse detalhe pode revelar muito sobre o coração — e quase ninguém presta atenção nisso.…
Quem estava esperando o começo do outono com manhãs mais frescas e temperaturas mais amenas…
Morar fora parece, para muita gente, a solução para recomeçar. Um novo país, novas oportunidades,…